A VOZ AO LONGE – por Adão Cruz

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Quase diríamos que as paredes brancas nascem da terra

Quase diríamos que o sol vermelho e quente é um beijo ardente

na misteriosa face da planície inocente

Quase diríamos que a vida não se inscreve nas copas dos chaparros

quietos e mudos antes se deita na sombra doce que se estende a seus pés

Quase diríamos que o chão se veste e reveste de cores

cheiros e sentidos que dão à vida algum sentido

Quase diríamos que que a vida não se aninha na erva daninha

antes baloiça de alegria no ondular da seara como navio

 de esperança num mar de trigo

Quase diríamos que a voz ao longe não é do vento

nem do tempo nem da descrença de um outro amanhã

Quase diríamos que a voz ao longe é o voar sereno de uma

nuvem branca trazendo no bico um livro enorme

e um ramo de paz para o ninho dos homens

Ilustração: reprodução de um quadro de Adão Cruz

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