POESIA AO AMANHECER – 305 – por Manuel Simões

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ERNESTO MARECOS

( 1836 –  ?  )

JUCA, A MATUMBOLLA (II)

(fragmento)

Da África no seio adusto,

No vasto sertão da Lunda

Que atravessa, que fecunda

O Zambezi colossal;

Onde a natureza esplêndida

Se desata em maravilhas

Que são assombrosas filhas

De um prodígio vegetal;

Junto ao sítio de Quimbaxi,

Uma povoação modesta

Perto de espessa floresta

Se abrigava do calor;

De entre as libatas extensas

Destacava uma cubata

Com um fio de alva prata

Destaca da negra cor.

[…]

Chamava-se Juca. Nunca

Formosura tão completa

Deu em sonhos o poeta

A deidade que o seduz:

No rosto, a beleza casta,

No corpo esbelto elegância,

Nos lábios suave fragrância,

Nos olhos um céu de luz!

(de “Juca, a Matumbolla”)

Nasceu em Portugal em 1836. A partir de 1855 transferiu-se para Luanda, onde foi funcionário e colaborador da imprensa local. No século XIX, a poesia de Angola que veicula a formação da consciência nacional trata apenas o tópico da cor, como neste poema, apesar da contradição interna «alva prata/destaca da negra cor». Publicou “Juca, a Matumbolla” (1865), depois do que se transferiu de novo, agora para Goa, onde parece ter publicado o volume de poesia “Folhas sem Flores”.

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