Esta é uma frase de Carlos E. Pereira, pai de uma menina, Clara de seu nome, de 5 anos, brasileira, que foi vítima de um erro médico e agora sofre de uma paralisia cerebral. Como comunicava ela com o resto do mundo? Mal.
Seu pai, tinha conhecimentos para poder partir na aventura de tentar arranjar uma forma de ultrapassar este problema. Porque é analista de sistemas, criou o aplicativo Livox, com ajuda de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e pedagogos. Actualmente é o mais competente aplicativo do mercado mundial da área, e o primeiro em português, sendo adaptado para tablets.
É um sistema intuitivo que não requer um longo aprendizado. Possibilita que a pessoa “fale” com os que a rodeiam. Pode ser levado a qualquer lugar e tem bateria que dura até 10 horas. É multimédia, funciona com toque e tem vídeos e músicas, sendo totalmente personalizável.
Com o passar do tempo, e com sua comercialização, o Livox® tornou-se um produto da Agora Eu Consigo Tecnologias de Inclusão Social Lda, empresa do segmento de negócios sociais, voltada para o desenvolvimento de produtos, soluções, serviços e treinamentos que viabilizem a inclusão social e a acessibilidade de pessoas com necessidades especiais ao convívio familiar e social.
Esta é uma das situações que nos emocionam pela capacidade de reagir a situações adversas, pela força que demonstram e pelos resultados que podem ser partilhados e trazer melhoria de vida a muitas pessoas. Vou relatar outro caso.
Trata-se da invenção de uma cadeira que faz com que crianças com incapacidades motoras e/ou mentais consigam dançar. É de autoria da professora norte-americana Merry Lynn Morris, professora de dança na Universidade do Sul da Flórida, Motivada por razões pessoais (acidente de seu pai que o levou a viver o resto da sua vida numa cadeira de rodas). Ela acredita que todos devem ser capazes de dançar, independentemente de qualquer deficiência física. E assim nasceu a Rolling Dance Chair, onde o “dançarino” se senta num assento claro, se move e gira de forma intuitiva. A sua criadora considera-a como uma extensão do dançarino como qualquer outro suporte ou equipamentos que eles usam.
A “Cadeira da Dança” é o resultado de um longo processo de design, várias bolsas de investigação e o interesse de um número de universidades e empresas de tecnologia. Acredita-se que esta cadeira inovadora é o futuro do design de cadeira de rodas, e o próximo passo no sentido de tornar a cadeira de rodas convencional, uma extensão natural do usuário que passará a ser utilizada para além da dança. Por enquanto só existe um exemplar…
De facto, “para as pessoas com deficiência a tecnologia torna as coisas possíveis”.
Essa frase é de Mary Pat Radabaugh da IBM de 1988 várias pessoas têm-na tomada como sua.