UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (12)

O Outono, a estação do ano por excelência, no Porto.

Também no Outono, o Porto é uma cidade encantada e encantadora, intemporal e bela, melancólica e tranquila, mística e divertida, onde cada um pode mergulhar como desejar numa qualquer sucessão de momentos deliciosamente doces ou amargos, salgados ou picantes. O Porto mexe com os sentidos de quem cá vive e de quem nos visita, mas, como em tudo na vida, não está isento de falhas.  

O Porto é uma cidade em contínua construção e mudança, sempre e cada vez mais, para melhor, pelo que mais uma vez volto a referir uma situação que aflige quem nos vem visitar, a falta de placas informativas, bem estruturadas e apelativas, espalhadas pela cidade, a indicar os locais de interesse turístico, público, comercial, etc.

Nessa constante transformação, construção e mudança, surgiram os novos mercados, espalhados pela cidade. Apareceram uns a seguir aos outros, o Flea Market, o Urban Market, Cedofeita viva, o Pink Market, o Mini Porto Belo, e outros mais, e também o 1ª Avenida no Edifício AXA, na Avenida dos Aliados, dedicado à música e às artes.

 

O Urban Market, o Pink Market e o Mini Porto Belo, estão de volta, neste final de semana.

Urban Market NovembroPink Market NovembroO sol do verão de S. Martinho, com dias bonitos embora frescos, parece ter vindo para ficar e promete ainda cá estar no próximo fim de semana.

Sexta feira, Sábado e Domingo,  o Urban Market vai tornar ainda mais doce a Praça das Cardosas. A nova praça da Baixa Portuense volta a encher-se de artesanato e de joalharia, objectos de moda e de design, cabeleireiros, música, vinho, gastronomia e muita animação.

No Sábado e no Domingo o Pink Market volta ao Hard Club,  e no Sábado, realiza-se a 31ª edição do mercado Mini Porto Belo, na Praça Carlos Alberto.

Eventos a não perder de forma alguma.

 

Jardim das Oliveiras

DSC04507-960xFoi na minha terceira crónica que, ao de leve, aqui falei sobre o Jardim das Oliveiras, que ocupa o espaço que em tempos foi o “Mercado do Anjo” e mais recentemente o “Clérigus Shopping”, insurgindo-me com o facto de aquele espaço não estar aberto ao público.

Eis que, dois meses depois, surge a inauguração e respectiva abertura, a todos, com honras de Presidente da Câmara.

Por razões várias, sendo uma delas de saúde, não pude estar presente, mas acompanhei as reacções de alguns dos meus colegas escribas, através do Facebook. Confesso que alinhei momentaneamente com algumas das críticas lá expostas, nomeadamente a de considerarem pindérico, provinciano e até patético o arranjo das oliveiras com  as palavras “xmastime” e “bells” em letras brancas e gordas.

Depois, pensei melhor!

Depois, fui ver.

Para além das palavras em Inglês, principal objecto das críticas, também se encontram outras em Português, como “felicidade”, “amor” e “estrela”.

Ora acontece que este jardim público, é privado, e tem horário de funcionamento semelhante ao do comércio que lhe está associado.

Jardim das Oliveiras

Jardim das Oliveiras

 

Para além disso, este jardim público e privado, que foi entregue à cidade (através de um acordo em que o município pagará a iluminação pública do jardim e os custos com a água destinada à rega, e o complexo comercial assumirá tudo o resto, como seja a manutenção, limpeza, e poda das árvores, e ainda qualquer arranjo que seja necessário), não é mais que um complemento ao “passeio” que por baixo dele existe e que vive do comércio que lá se fizer, estando vocacionado para uma clientela mais endinheirada, nomeadamente a turística.

Dessa forma, os termos estrangeiros colocados no relvado e nas árvores e no corredor do “centro comercial”, e que são alusivos à época natalícia, que se avizinha, estão mais do que justificados. Por aí, não há mal que venha ao mundo Portuense, nem deveria incomodar quaisquer fundamentalistas.

Jardim das Oliveiras

Jardim das Oliveiras

 

Mas coisas há que, embora as entenda numa óptica comercial, não me parece que fiquem bem.

Não há um único banco neste jardim tão bonito e agradável para se estar.

Comercialmente terá sido assim que pensaram os que idealizaram o espaço:- “Olha, potencial cliente, se te quiseres sentar, tens o andar de baixo para esse efeito, e sempre tomas um cimbalino, e com isso, ajudas a economia local”.

Mas não está bem! Num jardim que se quer público, não nos chega a possibilidade de o visitar (qual visita de médico), temos de o poder apreciar, e usufruir, pelo que implica haver lugar para as pessoas se sentarem à sombra ou ao sol, ou à chuva se preferirem, para descansarem ou simplesmente desfrutarem das “vistas”, sem terem de o fazer no chão, seja ele relvado ou não.

Uma correcção a ter em conta por quem de direito.

 

About José Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

3 comments

  1. Manuel Gaspar Mota

    Meu caro José Magalhães,
    Apreciei tudo aquilo que diz em que analisa, a cidade na vertente turístico comercial.
    Recentemente estive no Porto com a minha família. Confesso que ficámos decepcionados com o que resta do mercado do Bolhão. Como entendido nestas questões urbanísticas, muito apreciaria que numa das próximas cartas com que por certo continuará a honrar-nos, se referisse ao mercado em apreço e já agora À Rua de Santa Catarina que também não está a passar pelos melhores dias.
    Um abraço
    Manuel Mota

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    • Meu caro Manuel Gaspar Mota muito obrigado pela sua visita e pelo seu comentário.
      Por certo falarei sobre o mercado do Bolhão e também sobre a rua de Santa Catarina. Será só uma questão de tempo até que aconteça.
      Um abraço
      José Magalhães

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  2. Fátima Ferreira

    José Magalhães, vamos esperar que os actuais autarcas do Porto ,estejam mais atentos
    às necessidades dos visitantes do jardim das Oliveiras!
    Para observar a paisagem e desfrutar do belo espaço que é o jardim, uns bancos fazem muita falta.
    Onde estará a anja, uma escultura do Mestre José Rodrigues?
    Fez parte dessa praça!
    Quem sabe se não voltará uma outra escultura e com mérito do Mestre José Rodrigues.

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