A ESTUPIDEZ É UM CÃO FIEL – 46 – por Sérgio Madeira

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Capítulo quarenta e seis

 

Dissemos já como foi de uma extrema violência o ataque desencadeado contra o aquartelamento da companhia comandada por Guilherme Lopes. Um ataque desproporcionado, pois não seriam necessários tantos meios para derrotar aquela pequena unidade. Usando canhões sem recuo 7,5 cm e morteiros de 82 mm, os atacantes abriram o baile e mantiveram o fogo ininterrupto durante aquilo que aos portugueses pareceu uma eternidade. Após um breve silêncio, entraram em acção as  metralhadoras pesadas de 12,7 mm, varrendo a parada, estilhaçando os vidros dos,abarracamentos.

 Guilherme  enquanto procurava activar os dispositivos de defesa, apercebeu-se de que havia uma excelente coordenação entre as diferentes posições das peças e dos ninhos de metralhadoras o que pressupunha o uso de  equipamento de emissão e recepção rádio. Um grupo numeroso de soldados indígenas tentou render-se, mas foi massacrado pelo fogo das metralhadoras e das armas automáticas.  Vindos da aldeia vizinha, ouviam-se gritos e o tiroteio abundante, fazia adivinhar um massacre. Toda a possibilidade de resistência ficou condenada quando uma força de infantaria inimiga entrou no perímetro do quartel. Tentando poupar vidas o capitão rendeu-se.

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Guilherme Lopes estava guardado à vista por dois nianjas corpulentos com as A47s em posição de fogo. Disse algumas das poucas palavras que conhecia do dialecto ou idioma cinianja, língua do ramo bantu. Os homens nem pestanejaram. Ouviu passos, vozes de «sentido!», calcanhares batendo … Um homem uniformizado e coxeando, apoiado a uma bengala, entrou na palhota. Dominando a curiosidade, Guilherme não se voltou. Os soldados, com a arma mantida sobre o peito pela mão esquerda, fizeram uma continência perfeita, mantendo-se hirtos até que a voz de «à vontade!» os fez voltar à posição primitiva.

Coxeando batendo com a bengala no chão térreo, o oficial parou em frente ao prisioneiro

– Boa noite, capitão paneleiro!

Diante de Guilherme, estava o agente Nachawi.

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