APRENDER A FUMAR COM O EXEMPLO DOS QUE FUMAM – AS GRAVES CONSEQUÊNCIAS NA SAÚDE por clara castilho

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Fumar faz mal, isso já se sabe. Os maços de tabaco anunciam. No entanto, a venda de tabaco é legal. Dá muito dinheiro às tabaqueiras, também dá ao estado pelos impostos cobrados. Assim, tudo fica na mesma.

Mas afinal, fumamos mais ou fumamos menos? Parece que o número diminuiu, sendo isso à custa dos mais velhos. Porque os mais novos andam a fumar mais. E ainda há a exposição passiva! E aí sim, muitos beneficiaram com a lei que proíbe fumar em espaços públicos (de 1 de Janeiro de 2008). Lembram-se? Pois parece que fez baixar em dois por cento o número de fumadores.

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A Sociedade Portuguesa de Pneumologia tem andado a estudar este assunto desde 1992 e tem levado a cabo  várias actividades. Agora dá-nos algumas informações. Em relação a outros países europeus, encontramos-nos na ordem de 21% da população a fumar, enquanto a média europeia é de 28% (com a vizinha Espanha e Grécia a ronda os 40% da população). Outro dado é que se verifica uma diferença entre sexos. São as mulheres jovens que fumam cada vez mais.

E como se aprende a fumar? O acto de fumar é socialmente aprendido, com os pares, os pais e outras pessoas significativas para os adolescentes e jovens. Por outro lado,  a facilidade de acesso ao tabaco, em particular o preço acessível, a aceitação social do consumo e a visibilidade social dos produtos de tabaco também para isto contribui. Sabe-se que se os adolescentes atingirem a idade adulta sem nunca terem fumado, provavelmente nunca virão a fumar. A prevenção da iniciação do consumo de tabaco entre os adolescentes e jovens é, portanto, uma abordagem crucial para se poder vir a controlar a “epidemia tabágica” nas próximas gerações. Dados recolhidos em 2012, por um estudo Eurobarómetro, dos inquiridos portugueses fumadores ou ex-fumadores, 22% disseram ter começado a fumar regularmente com menos de 15 anos. Apenas 6% referiram ter começado a fumar regularmente depois dos 25 anos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), morrem anualmente, em todo o mundo, cerca de 5,4 milhões de pessoas fumadoras ou ex-fumadoras, das quais 650 000 na União Europeia. Estima-se que a exposição ao fumo ambiental do tabaco contribua para a morte adicional de cerca de 600 000 pessoas não fumadoras, por ano, em todo o mundo, 19 000 das quais na União Europeia. Se não forem adotadas medidas efetivas de prevenção e controlo, o número de mortes anuais, a nível mundial, poderá atingir os 8 milhões, dentro das próximas duas décadas.

Dados recolhidos pelo último Inquérito Nacional de Saúde (INS, 2005/2006) referentes à população residente em Portugal, com 15 ou mais anos, revelaram uma prevalência de fumadores, diários e ocasionais (dados ponderados para a população portuguesa), de 20,9%; 30,9% no sexo masculino e 11,8% no sexo feminino. Os ex-fumadores corresponderam a 16,1% da mesma população.

Embora deixar de fumar seja benéfico em qualquer idade, os ganhos são tanto maiores quanto mais precocemente tiver lugar a abstinência definitiva. Por outro lado, a promoção da cessação tabágica contribui para diminuir a visibilidade social do ato de fumar, o que constitui uma importante estratégia para prevenir a iniciação do consumo, por parte das crianças e jovens, e para evitar a exposição ao fumo ambiental do tabaco.

Em Portugal, a Lei n.º 37/2007, de 14 de Agosto, veio dar execução a normas tendentes à prevenção do tabagismo, à protecção da exposição ao fumo do tabaco, à redução da procura e à cessação do consumo. Nela se incluem a proibição da publicidade. Embora a publicidade ao tabaco se encontre totalmente proibida em Portugal, desde 1982, de acordo com um estudo Eurobarómetro publicado em 2010, apenas 40% dos respondentes portugueses disseram nunca ter visto publicidade ao tabaco nos seis meses anteriores à inquirição; 5% responderam ter visto publicidade muitas vezes e 20% de vez em quando. Importa, assim, caracterizar quais as formas e contornos de incumprimento da lei, em articulação com a Direção-Geral do Consumidor.

E existe um Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo.

(http://www.ordemenfermeiros.pt/colegios/Documents/PNPCT_2012_2016.pdf) No seu último relatório, já deste anos, podemos ver como recomendações:  a actuação junto de mulheres grávidas; a promoção da lei do tabaco, visando a proibição de fumar em locais públicos, a modificação de embalagem e rotulagem dos produtos do tabaco, o incentivo à cessação tabágica através da melhoria da formação pré e pós graduada dos profissionais de saúde na realização de intervenções breves e da redução dos custos das terapêuticas de cessação tabágica para o utilizador;  a promoção do aumento anual dos preços dos produtos do tabaco e adopção de medidas fiscais que possam ser consignadas ao combate ao tabagismo e ao tratamento das suas consequências.; o reforço do investimento em estratégias de informação e educação para a saúde destinadas aos jovens, às mulheres, às mulheres grávidas e aos pais, e incentivar o desenvolvimento de iniciativas de promoção da literacia em saúde e de capacitação para escolhas saudáveis, em articulação com outros sectores governamentais e com a sociedade civil.

Pois é, saber, sabemos. E ensinamos para não fazer. Mas continuamos a fazer.

Nota: Não sou fumadora.

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