COMO SE RELACIONA SABER UTILIZAR O QUE SE APRENDE EM MATEMÁTICA COM O NÍVEL ECONÓMICO DE UM PAÍS? por clara castilho

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PISA é em Programa de Avaliação Internacional de estudantes e faz parte da  Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), tendo-se iniciado no ano de 2000.

De três em três anos faz um estudo internacional com o objectivo de avaliar os sistemas de educação, testando as capacidade e os conhecimentos das crianças de 15 anos de idade. O relatório que tem como título “O que é que os estudantes sabem e podem fazer”. Este ano, as respostas vieram de 34 países da OCDE, e outros 31 países ,num total de 510 mil alunos dos 28 milhões de jovens de 15 anos que frequentam as escolas do universo analisado, correspondendo em Portugal a 5700 alunos, tendo sido escolhidos aleatoriamente (http://www.oecd.org/pisa/keyfindings/PISA-2012-results-overview-FR.pdf)

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Os questionários são feitos  para avaliar de que modo os alunos no final da escolaridade obrigatória, conseguem aplicar seus conhecimentos em situações da vida real e de que modo aplicam esses conhecimentos como plena participação na sociedade. A informação recolhida através deles também fornece o contexto que pode ajudar os analistas a interpretar os resultados.

Isto permite aos estados compararem as capacidades dos seus alunos ao longo do tempo e ter acesso ao impacto das políticas de educação. São abrangidas as áreas da leitura, matemática e ciências, tendo como  foco um assunto em cada ano de avaliação. Os alunos fazem um teste que dura 2 horas, sendo uma mistura de perguntas abertas e de múltipla escolha que são organizadas em grupos com base num cenário de uma situação de vida real e que dura cerca de 390 minutos. Os alunos  fazem diferentes combinações de diferentes testes.

Os  diretores das escolas  também são  questionados  para fornecerem informações sobre as origens dos alunos, escolas e experiências de aprendizagem e outras informações sobre o sistema de ensino e aprendizagem.

Vejamos o que concluíram sobre Portugal. É  na área da matemática que os resultados são melhores – à média de 2,5 pontos ao ano. E desde 2009 subiu três posições no ranking da organização, aproximando-se da média internacional. Esta evolução, refere o relatório, teve lugar, sobretudo, no período compreendido entre 2006 e 2009, sublinha o relatório, ou seja, antes  das modificações introduzidas pelo actual Ministro, Nuno Crato. Para não ser tudo mau, alcançámos países como Luxemburgo, dos Estados Unidos, da República Checa, da França, da Suécia, da Hungria, da Espanha, da Islândia ou da Noruega.

E para além disto, estas “performances” situam-se a dois níveis e em duas áreas (matemática e ciências): os alunos que se saem muito mal neste tipo de testes de literacia são em menor percentagem e os que saem melhor aumentaram.

Por cá mito se tem falado dos maus resultados nos exames nacionais (a média no exame de Matemática do 9.º ano baixou de 57%, em 2009, para 43%, em 2011 e nos exames do secundário – alunos com mais de 15 anos – a média também caiu de 10 valores, em 2009, para 8,2 valores, em 2013). Então como relacionar isto tudo?

È que se estão avaliar coisas diferentes. Que interessa uma nota no exame se os alunos não souberem aplicar na vida real o que aprenderam?

Este estudo remete para outro (Survey of Adult Skills, 2013), em que se conclui que “fracas competências a Matemática limitam de forma grave o acesso dos indivíduos a trabalhos mais bem remunerados” e que pessoas com mais competências nesta área tendem a sentir-se mais capazes de participar politicamente e confiam mais naqueles que as rodeiam.

Tem-se verificado que os países da OCDE investiram largas verbas para melhorar a educação da Matemática nas escolas. E qual a relação entre as verbas aplicadas e os resultados? Concluem que a despesa por aluno só explica “30% das diferenças entre todos os países e economias e 17% entre os países da OCDE”. Segundo os autores, isto poderá indicar que “o mundo não está mais dividido em países ricos e bem educados, e os pobres e mal educados”. Assim, comparam-se também reformas políticas introduzidas em países que melhoraram os seus resultados e que podem ter feito a diferença.

 

 

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