SAMURAI – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Com 23 anos a minha filha Beatriz acabou o curso e foi logo convidada para uma pós-graduação nos Estados Unidos. A Mariana, minha mulher, chorou muito. Depois. aos 26 anos, a Beatriz aceitou um emprego em Tokyo. A Mãe arrepelou os cabelos, coitadinha da rapariga, agora até já está no outro lado do mundo. Raras foram as cartas que a Beatriz nos escreveu. Mas ontem, ao fazer 30 anos, mandou-nos um telegrama a avisar que chegará amanhã ao aeroporto da Portela.

 Desce do avião e a Mariana não se aguenta, beijinhos e abraços, ai minha rica filha, estás tão magrinha, come esta maçã, come! A Beatriz vem com um japonês a tiracolo, rapaz novo. Apresenta-mo. É nome arrevesado. Saio pela tangente:

 – Seja benvindo, sr. Takôku Nakara.

  A Beatriz torce o nariz. Não tarda muito começa a guinchar e a bater os pés, como fazia dantes. Corto a direito:

 – Minha filha, não te amofines, esse gajo aí, para mim é o Samurai, e não se fala mais nisso.

 A Beatriz enrola a língua num patuá cheio de soluços e o japonês sorri, faz uma vénia, quase bate com a testa no chão. Gostou da alcunha. Ainda bem.

Leave a Reply