A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
A República Portuguesa e o Estado espanhol, ambos dominados durante décadas por ditaduras de matriz fascista, fizeram as respectivas transições para a democracia de formas diferentes. Diferentes, porque havia diferença nas circunstâncias que motivaram a ruptura com o autoritarismo num e noutro estado. No entanto, quase quarenta anos depois, as diferenças esbateram-se e ambos os estados vivem sob governos liderados pelos herdeiros dos antigos regimes. Por gente que, no essencial, perfilha os princípios do salazarismo e do franquismo; gente que repudia a liturgia fascista, mas que respeita o mesmo deus – o poder financeiro. Gente que chama democracia à inaudita liberdade de ofender os princípios democráticos.