UMA VISÃO SOBRE A MORTE por clara castilho

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Faz hoje 20 anos que minha mãe faleceu. O que são saudades? O que são lembranças? Que memórias me passam pela cabeça?

Escreveu ela sobre a morte:

“Morrer deveria ser, pelo menos para mim, com este sentimento de ter feito as pazes com a Vida. Com a doçura de minutos serenos e contínuos, com o toque dessa doçura na minha pele interior como espécie de chuva poeira que só pode ser ternura. Morrer deveria ser sem angústia, sem desespero, uma espécie de um usufruir de uma graça especial e gratuita que nos reveste às vezes sem que saibamos porquê, não é a exultação, não é a posso plena dos bens que nos toca em certos dias. É estar em paz com a Vida. Ela não magoa, não fere, não interroga (ou nós não interrogamos) somos docemente amigas, ombro a ombro, mão a mão, caminhando em completo entendimento, em perfeita união, sem cantar ou antes: cantando baixo a mesma canção. E assim nos deveríamos despedir dela, sem saudade, sem remorsos de não termos sido isto ou aquilo.

galapos

E depois… Depois, o que mais desejava era entrar em Deus como entro na água verde de Galapos: liberta, calma, feliz, entregando-me totalmente sem que nada em mi m se retraia, num abraço pleno a quem me abraça também.

A fusão consentida, procurada até !”

MARIA CECÍLIA CORREIA

Sei que ela pressentiu a morte. Espero que tenha sentido algo parecido com o que desejava. Que eu não sou capaz de sentir ou compreender mas que respeito.

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