A ANÁLISE AMERICANA DA ECONOMIA A NÍVEL MUNDIAL (EXCERTOS) (1) – UMA SÍNTESE por JÚLIO MARQUES MOTA

A análise Americana da Economia a nível mundial ( Excertos) [1]

Parte I

O Omnibus Trade and Competitiveness Act of 1988 (the “Act”) exige que o Secretário de Estado do Tesouraria publique semestralmente um relatório sobre a Economia Internacional e as políticas cambiais dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos. Sob a seção 3004 do “Act”, o relatório deve analisar “se os países manipulam ou não a taxa de câmbio entre a sua moeda e o dólar americano com a finalidade de impedir o ajustamento efectivo da balança de pagamento ou de ganhar vantagens competitivas desleais e injustas em termos de comércio internacional.”

As políticas da administração para promover o crescimento e o emprego estão a dar os seus frutos. O PIB dos Estados Unidos, em termos reais, cresceu a uma taxa anual de 1,8 % durante o primeiro semestre  de 2013, quando tinha estado a crescer a um ritmo de 1,5 por cento no segundo semestre do ano transacto. Um consenso de previsores privados espera que o crescimento venha a reforçar-se até ao final de 2013 e a acelerar-se até 2,8 por cento em 2014. O crescimento foi apoiado pelas despesas de consumo e pelos investimentos residenciais num ambiente de melhoria nos rendimentos disponíveis das famílias, na melhoria das condições de acesso ao crédito  assim como numa mais rápida criação de postos de trabalho.

Os registos nas folhas de pagamento dos trabalhadores não agrícolas têm aumentado em média mensal de 185.000 por mês ao longo do ano passado e cerca de 7,6 milhões de empregos no sector privado foram criados desde Fevereiro de 2010. A taxa de desemprego caiu para 7,2 por cento a partir de Setembro de 2013, o nível mais baixo desde Novembro de 2008. O défice federal caiu rapidamente este ano, actuando negativamente sobre o crescimento económico. No ano fiscal que acaba de terminar, o défice deverá diminuir de 7% do PIB para pouco mais de 4%, o seu nível mais baixo desde 2008. Relativamente ao PIB, isto é quase 6 pontos percentuais do PIB a menos relativamente ao défice de 2009 que foi de 10,1% do PIB. A administração continua empenhada em reduzir ainda mais o défice, de modo consistente com as condições económicas e com a colocação das finanças públicas numa trajectória sustentável a longo prazo.

Este ano tem-se visto um mais forte crescimento nas economias avançadas, juntamente com uma reavaliação das perspectivas de crescimento relativo das economias emergentes. Em geral, de acordo com as projecções do FMI para a economia global esta irá crescer cerca de 2,9 por cento em 2013, quando teve uma taxa de crescimento no ano transacto mais baixa, cerca de 3.2 por cento em 2012. Perspectivando a uma maior distância, o FMI espera um crescimento global a aumentar para uma taxa a rondar os 6% em 2014. Há sinais de que a longa recessão na zona do euro esteja a chegar ao fim, embora o desemprego continua a ser muito elevado em muitos dos seus países. O crescimento económico abrandou em muitas das economias de mercado emergentes devido a terem-se reduzido os estímulos económicos de estímulo pós-crise, devido a ter-se desacelerado a procura global de bens exportáveis, incluindo a da procura de matérias primas agora mais suave da China e de mais apertadas condições para acesso ao crédito, agora mais apertadas.

Muitas moedas dos mercados emergentes ter-se-ão depreciado em 2013, devido a factores locais e globais. Depois de uma onda inicial de vendas em Maio, os mercados começaram a diferenciar –se entre países emergentes de mercado e de acordo com a força das suas estruturas políticas e das suas posições de balança corrente. Muitos mercados emergentes têm reforçado as suas instituições económicas e os seus quadros de intervenção em termos de políticas económicas durante a última década e, assim, aumentou a sua capacidade de resistência às mudanças nos fluxos de capital. Geralmente, nos países com estruturas mais fortes, as moedas e os mercados financeiros já refizeram as suas quebras anteriores.

Dentro da zona euro, os países com grandes e persistentes excedentes precisam de tomar medidas para impulsionar o crescimento da sua procura interna e para reduzir os seus excedentes na balança corrente. A Alemanha tem mantido um grande excedente de balança corrente durante toda a crise financeira na zona euro, e em 2012, o excedente em termos nominais da balança corrente da Alemanha foi maior do que o da China. O ritmo de crescimento anémico da procura interna da Alemanha e a dependência do crescimento das suas exportações têm dificultado o reequilíbrio numa altura em que muitos outros países da zona euro têm estado sob forte pressão para reduzirem a sua procura interna e a sua procura de bens importáveis a fim de promover o ajustamento. O resultado tem sido um enviesamento deflacionista na zona euro, bem como na economia mundial.

Entre as principais economias emergentes de mercado muitas na Ásia têm fortemente gerido as suas taxas de câmbio, com graus variados de intervenção e gestão activa. Este relatório destaca a necessidade de maior flexibilidade da taxa de câmbio nestas economias, principalmente na China, bem como a necessidade de maior transparência na gestão da taxa de câmbio, nas intervenções oficiais e nas reservas cambiais, juntamente com uma disciplina mais forte sobre a intervenção actual e sobre as intervenções verbais.

O RMB tem-se estado a apreciar numa base de taxa de câmbio ponderada pelos pesos relativos dos países parceiros da China  mas não tão rápido nem tanto quanto seria necessário alcançar com as intervenções no mercado cambial da China. A apreciação do RMB é não só uma boa coisa para a economia dos EUA, mas é igualmente uma boa coisa para a economias da China, para as economias da Ásia em geral e de modo mais amplo, para o mundo igualmente. Nos primeiros nove meses do ano, o RMB apreciou-se em cerca de 6,3 por cento numa base efectiva nominal e de 6,6 numa base efectiva real, contra a maioria das moedas abrangidas por este relatório. Isto, numa parte considerável, reflecte a depreciação do Iene contra o dólar e a fraqueza de muitas moedas. No entanto, o ritmo de apreciação nominal de RMB contra o dólar tem sido mais modesto (2,2% ao ano, de Outubro de 2012 a Outubro de 2013), com uma apreciação muito pequena durante vários meses.

Sobre um prazo mais longo, até meados de Outubro de 2013, o RMB apreciou-se numa taxa acumulada total de 12 por cento contra o dólar e de 16 por cento numa base real, ajustada pela inflação a partir de Junho de 2010, quando a China se afastou da sua âncora relativamente ao dólar e apreciou-se  cerca de 45 por cento em termos ajustados pela inflação  desde que a China iniciou a sua reforma monetária em 2005. Na mais recente consulta feita pela China ao FMI através do seu artigo IV, o FMI concluiu que o RMB estaria moderadamente subvalorizado contra um amplo cabaz de moedas e o IMF’s Pilot External Sector Report estima que o RMB foi desvalorizado em cerca de 5 a 10 por cento em termos de taxa de câmbio efectiva real, a partir de Julho de 2013.

As autoridades chinesas assumiram o compromisso de realizar uma profunda reforma do seu mecanismo de taxa de câmbio. Em Fevereiro de 2013 na reunião dos ministros das Finanças do G-20 e no encontro dos Governadores dos Bancos Centrais em Moscovo, a China juntou-se a outros membros do G-20 em  comprometerem-se  a ” não utilizarem as taxas de câmbio com finalidades de competitividade e em reafirmaram o seu empenho  para se deslocarem  mais rapidamente para sistemas de câmbio mais próximos dos comportamentos de mercado – em determinar portanto  sistemas de taxa de câmbio  e de flexibilidade determinadas pelos mercados cambiais , de modo a reflectir  os fundamentos subjacentes e a evitar os desalinhamentos cambiais persistentes.” A China também se comprometeu igualmente na Cimeira do G-20 de 2012 em Los Cabos, no México, para reduzir o ritmo de acumulação de reservas e aumentar a transparência da sua política de taxa de câmbio.

(continua)

[1] Excertos de:  Report to Congress on International Economic and Exchange Rate Policies; U.S. Department of the Treasury, Office of International Affairs, October 30, 2013

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