A análise Americana da Economia a nível mundial ( Excertos) [1]
PARTE II
(continuação)
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Desde o final de 2011 até ao início de 2012, a intervenção oficial tem-se preocupado com a desaceleração no crescimento económico na China e com a crise financeira na zona euro que reduziu os afluxos de capital na China. Como estas preocupações diminuíram no final de 2012 e no primeiro semestre de 2013, a intervenção oficial recomeçou a ser praticada e em grande escala. Dados oficiais chineses mostram que as instituições financeiras chinesas e o PBOC compraram colectivamente um valor de US $110 mil milhões em divisas em Janeiro e em Setembro de 2013. A evidência de que a China retomou as compras de divisas em grande escala este ano, apesar de ter acumulado US $3,6 milhões de milhões em reservas, que são mais do que suficientes qualquer que seja a medida em que possam ser consideradas, é sugestiva das acções que estão a impedir a determinação do valor da divisa via mercado de câmbios e a moeda está então significativamente subvalorizada.
A China ainda não divulgou o montante da sua intervenção nos mercados cambiais. Como resultado, os participantes do mercado e outros observadores devem recorrer a estimativas da intervenção chinesa utilizando para tal os níveis de reservas publicados. Em consonância com a prática da maioria das outras nações do G-20, a China deve divulgar as suas intervenções no mercado cambial regularmente para aumentar a credibilidade do seu quadro de política monetária e promover a transparência à taxa de câmbio e ao mercado financeiro.
O Japão não interveio nos mercados cambiais durante quase dois anos, embora as autoridades tenham emitido várias declarações públicas sobre o seu desejo de “corrigir a situação de terem o iene excessivamente forte” feitas nas semanas seguintes à eleição do primeiro-ministro Abe. Pouco tempo depois, o governo japonês juntou-se à declaração do G-7 de Fevereiro de 2013 afirmando que as suas políticas económicas seriam baseadas sobre objectivos nacionais e utilizando instrumentos internos e em que não se teria como objectivo “mexer” na taxa de câmbio. Desde então, as autoridades nipónicas claramente eliminaram as suas compras de activos externos como um instrumento de política monetária e abstiveram-se de fazer comentários públicos sobre o nível da taxa de câmbio. O Japão também fez parte do G-20 onde se assumiu em Fevereiro de 2013 que os países não iriam utilizar as taxas de câmbio para aumentarem a sua competitividade. Este compromisso foi afirmado pelos dirigentes do G-20 em Setembro de 2013 na Cimeira de São Petersburgo.
Vamos continuar a acompanhar atentamente as condições do Japão e a dimensão em que eles apoiam o crescimento da procura interna. Para apoiar uma recuperação económica mais forte e aumentar o potencial de crescimento, é importante que o Japão calibre o ritmo de consolidação orçamental de modo a poder recuperar a da procura interna e de modo a que venha a tomar medidas ambiciosas e eficazes para aumentar a procura interna. A política monetária não pode compensar uma consolidação orçamental excessiva ou ser um substituto para a reforma estrutural que tenha como função levar ao aumento da tendência de crescimento e da procura interna. É criticamente importante para a economia global que as políticas económicas do Japão actuem principalmente através do aumento da procura interna.
Embora o won coreano se tenha depreciado a um ritmo moderado contra o dólar americano no primeiro semestre de 2013, to relatório do FMI de Julho de 2013, Pilot External Sector Report, considera que a taxa de câmbio efectiva real da Coreia permanece sub-avaliada num intervalo de 2 a 8 por cento. Enquanto o governo coreano não publica dados sobre as suas intervenções, os participantes de mercado estimam que as autoridades intervieram no início 2013 para limitar o ritmo de apreciação do won com o iene a depreciar-se, mudando de posição em Junho no sentido agora de limitar a depreciação do won, com a volatilidade dos mercados financeiros a aumentar e depois voltou novamente a actuar no sentido de limitar a apreciação do para limitar a apreciação do won em Setembro de 2013.
A partir do final de Setembro de 2013, as reservas em divisas da Coreia situavam-se em US $326 mil milhões. O relatório de consulta da Coreia em Setembro de 2012 ao FMI ao abrigo do artigo IV observou que as reservas eram adequadas e “não havia necessidade de acumular mais reservas para além do que seria necessário para manter o ritmo com as crescentes responsabilidades estrangeiras ao longo do tempo.” Continuaremos a encorajar as autoridades coreanas para limitarem a sua intervenção cambial às circunstâncias excepcionais de comportamento desordenado dos mercados. Além disso, em consonância com a prática da maioria dos outros países do G-20, a Coreia deve divulgar as suas intervenções no mercado cambial, logo que estas se tenham verificado.
Baseados na análise deste relatório, o Tesouro concluiu que nenhum dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos levou a cabo as operações clássicas com o fim de manipular a taxa de câmbio entre a sua respectiva moeda e o dólar dos Estados Unidos e com o fim de tentar impedir os mecanismos de ajustamento eficazes da sua balança de pagamentos ou para ganhar vantagens desleais em termos de competitividade no comércio internacional, como é identificado na seção 3004 da lei americana durante o período abrangido no relatório. Não obstante, o Tesouro está a monitorizar de muito perto o desenvolvimentos nas economias onde o ajustamento da taxa de câmbio está incompleto e continuará a exigir uma completa adesão aos compromissos recentes do G-7 e G-20. O Tesouro continuará a acompanhar de perto os desenvolvimentos sobre as taxa de câmbio em todas as economias abrangido por este relatório, com especial atenção para a necessidade de maior valorização do RMB e para se pressionar para mais mudanças na política cambial para que se verifique uma maior flexibilidade da taxa de câmbio, uma maior transparência nas intervenções governamentais, uma maior concorrência leal assim como um maior apoio para um crescimento fortemente sustentado e equilibrado à escala mundial.
(continua)
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[1] Excertos de: Report to Congress on International Economic and Exchange Rate Policies; U.S. Department of the Treasury, Office of International Affairs, October 30, 2013
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Para ler a Parte I desta síntese de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas vá a:

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