COOPERATIVA DE PRODUÇÃO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet
 
 
 
 
 

          – Estamos em 1976. O vosso patrão bateu asas faz oito meses. Não vos despediu, não vos indemnizou como devia, porque é essa a lei dos homens. Pela mesma lei estais ainda por conta do patrão e ele já vos deve oito meses de salários em atraso, mais férias e subsídios na proporção. E cada mês que passe sem que reabra a fábrica, é outro mês de salário que vos fica a dever. A fábrica nada produz e tem dívidas cada vez maiores. Não falo apenas dos salários. O Estado taxa multas sobre os impostos devidos e não pagos. E os Bancos e os fornecedores taxam juros sobre as letras vencidas e não pagas. O que vai acontecer está à vista: a fábrica vai à falência. E indo à falência, teares e fazenda vão a leilão, é tudo vendido ao desbarato. Acaba-se a fábrica e, do dinheiro assim apurado, sobrará dez reis de mel coado para cada um de vós. É isso que querem?  Pergunto: quer Deus que os vossos filhos morram à fome?

           A casa quase que vinha abaixo, houve até um certo pânico. O Padre Joaquim levantava os braços e gritava, ninguém lhe dava atenção. Rematei:

          – Por eles, e por vós, deveis fazer uma cooperativa de produção!

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