CRIANÇAS À DERIVA – O TEMPO NÃO VOLTA PARA TRÁS por clara castilho

9349741_b7nUl

O que acontece quando se considera que uma criança está em perigo no seio da sua família nuclear? Depois de esgotadas as possibilidades de poder viver com outro elemento da sua família, existe a medida de acolhimento institucional, prevista no artigo 35.º alínea f) da Lei de ProteCção de Crianças e Jovens em Perigo [LPCJP].

Muitas destas instituições são de solidariedade social. Recebem uma quantia fixa por criança, que não chega para pagar a totalidade de técnicos necessários para se levar a cabo um trabalho de qualidade. Sentem, assim, necessidade de recorrer a estratégias inovadoras de captação de fundos. E, de novo, caímos num sistema de assistencialismo, em que o estado fica desresponsabilizado de corresponder a esta situação.

Num desespero face a esta situação, nem sempre as campanhas que estão a ser utilizadas tomam as devidas cautelas para proteger a confidencialidade das histórias das crianças. E quem ajudava agora tem menos capacidade para o fazer. E mais casos aparecem para dar resposta… Recorre-se ao youtube, ao facebook.

International Solidarity for Human Rights

 

Também, informações vindas dos hospitais reportam que os serviços sociais têm que intervir num número muito maior de casos, sobretudo devido a  problemas de desemprego dos pais, relacionando-se com alimentação, compra de medicação, transportes para garantir consultas ou tratamentos, roupa ou brinquedos.

Que marcas vão ficar nestas crianças?

Isabel Soares, orientadora da responsável pelo estudo “Desorganização e Comportamentos Perturbados de Vinculação num grupo de crianças portuguesas institucionalizadas”, da Universidade do Minho (que estudou exclusivamente 85 crianças com idades entre os 12 e os 30 meses de idade, aos cuidados de 19 centros de acolhimento da zona norte do país) diz-nos que  “mais de metade das crianças institucionalizadas exibe padrões atípicos de vinculação, isto é, apresenta dificuldades na criação de laços com os cuidadores institucionais”.”Esta realidade parece estar associada à escassez de cuidadores nas instituições, o que não permite uma individualização dos cuidados idade. Conclui que “a hipersociabilidade e a abertura excessiva a pessoas desconhecidas são comportamentos de risco para a própria criança” porque “traduz-se numa incapacidade por parte da criança de se proteger, tornando-a mais vulnerável a abusos ou a manipulações”.

Esta é uma das consequências mas muitas outras há…

Leave a Reply