QUE VERGONHA PARA UM PAÍS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Realizou-se no passado dia 18 a prova de avaliação para os professores contratados com menos de cinco anos de serviço.

Eu diria que as escolas que os formaram estão também debaixo da mira do MEC.

sala de aula antiga

Os professores fizeram os seus cursos, foram avaliados inúmeras vezes até concluírem a sua licenciatura. Se têm o diploma certificado, não há que avaliar desta forma os professores quer tenham 4 ou 25 anos de serviço. Não é o tempo de serviço, ou o ser contratado que está em causa.

Em causa está este exame e a sua finalidade, e ponto final.

Não sei o que é que a UGT ganhou com este acordo com o MEC, mas uma coisa sei, nunca os professores foram tão humilhados como agora, nunca os professores tiveram que vigiar provas aos seus colegas.

Sou professora há 33 anos, estive em desacordo com muitas medidas discriminatórias que tentaram impor, fui mal tratada pela DREL, fiz greves, mas nunca senti que pusessem em causa a minha dignidade profissional, como agora.

Que irá inventar o Ministro Nuno Crato após esta situação? Como vai fazer para arrecadar mais uns milhões de Euros para os Portugueses de Primeira, os bom alunos entregarem aos mercados?

Não faz mal atingimos a meta necessária, criando cada vez mais desemprego, desvalorizando cada vez mais a Escola Pública.

Que vergonha para um país que permite que a escola seja novamente a criação de élites! Cada vez mais o fosso entre os bons alunos (na Escola, naturalmente) e os maus alunos é maior. A Escola Pública será para os filhos dos pobres, dos desempregados, dos que vivem do Rendimento de Inserção Social, dos que já não têm subsídios, das crianças portadoras de problemas comportamentais, mas ai que bom! Estamos nos mercados.

O Dr. Crato que explique isso aos pais desses meninos e aos professores que são formados para ensinar todos os alunos.

Paulo Santiago, no Público do dia 18 de Dezembro, diz que este tipo de avaliação não é comum na Europa. Há avaliação de professores com critérios específicos, numeracia, literacia, mas feitos durante o tempo em que estão a fazer o curso.

A intenção dessas provas é integrar melhor os professores nas escolas e não para os excluir nem os desvalorizar perante a sociedade que precisa de ter respeito e confiar na Escola Pública.

 

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