Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 157 – por Manuela Degerine

O salto do cavalo

imagem158O inconveniente de avançar uma etapa é desencontrar-me dos que, até agora, têm feito parte deste Caminho de Santiago, não voltarei a ver Pieter nem Angelika nem Jette nem as finlandesas, nem Sixty-Four nem Mika-Franz nem os eleitores de Frau Merkel… E chegarei a Valga sem mazelas? Encontro-me no oitavo dia de caminhada, o risco será menor do que na etapa de Ponte de Lima ou – sobretudo – na de Valença, mas convém manter-me atenta e, caso seja necessário, não hesitar em pedir boleia.

Reúno entretanto todas as razões para, às três horas da tarde, começar a percorrer segunda etapa. Em vez de colaborar no absurdo de Brialhos, em vez de me conformar com o albergue dos quatro sentidos: empurro os limites das minhas possibilidades. Ganho um dia que passarei, na viagem de regresso, em Santiago de Compostela. Descubro outro albergue. Conhecerei decerto outros andarilhos. Estas seis razões bastam para eu meter as pernas ao caminho… De Valga?

O qual se revela mais inundado do que em 2012 por conseguinte, tal como entre Pontevedra e Brialhos, também entre Brialhos e Caldas, não obstante os desvios, as precauções, o equilibrismo, todas as estratégias de evitamento, enterro as botas até aos tornozelos. Nas aldeias há glicínias roxas, camélias fulvas, alvuras de jasmim e, como é sábado, como não chove, numerosas pessoas trabucam pelas hortas. Queixam-se da humidade pois, de há um mês a esta parte, choveu todos os dias, os campos são pântanos e, embora vamos a 13 de abril, não podem ser semeados; em breve será tarde demais.

Os andarilhos são pluviómetros ambulantes, registam cada gota que em cima lhes cai, embora a chuva constitua um leve e transitório incómodo… Não se podem comparar com os agricultores: cuja subsistência depende do tempo.

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