POESIA AO AMANHECER – 355 – por Manuel Simões

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LUÍS ROMANO

 ( 1922 – 2010)

            VIDA

            A crioula que meus olhos beijaram a medo

            perdeu-se na confusão de um porto francês

 

            Ela sorria continuamente, erguendo no seu riso uma canção extraordinária.

           

            Não foi um romance de amor

            nem mesmo um pequeno segredo entre ambos.

 

            Somente, quando Ela falava ao pé de mim, eu sentia:

            um aprazível devaneio

            pela maravilha escultural de uma Mulher Perfeita.

 

            Depois,

            a Vida separando Nós-Dois,

            a confusão, os ruídos, os braços agitando-se

            e o vapor levando para outros mares,

            outros portos,

            a graça, o mistério, o perfume e os cantares

            da crioula que meus olhos beijaram a medo

            no tombadilho daquele vapor francês.

 

            (de “Clima”)

Poeta e romancista cabo-verdiano. Viveu em Marrocos e no Brasil, sem perder as raízes cabo-verdianas. Colaborou em “Vértice” (1ª série), “Cultura-I” e figura em “Literatura africana de expressão portuguesa” (1968). É autor do conhecido romance “Famintos” (1962) e de outros livros de prosa. Obra poética: “Clima” (1963), “Negrume-Lzimparim” (histórias e poemas, em português e em crioulo, 1973).

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