RETRATOS COM HISTÓRIAS – CARLOS PAREDES – POR EDUARDO GAGEIRO

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Carlos Paredes.1988. “O Carlos nasceu no mesmo dia do que eu, apesar da diferença de idade. Esta fotografia é de um passeio que fizemos junto ao Tejo e sairia numa capa de um CD dele”.

O que dissemos sobre Amália, é válido para Carlos Paredes e para todas os famosos que Eduardo Gageiro incluiu neste álbum – tudo está dito. Por isso, preferimos a resenhas biográficas, que podem ser colhidas em qualquer enciclopédia ou na Internet, pequenos apontamentos sobre aspectos menos conhecidos ou mesmo curtas reflexões pessoais sobre a personalidade fotografada. Hoje, em vez de um texto assinado por ambos, teremos dois pequenos textos de Manuel Simões e de Carlos Loures.

Nesta galeria de retratos, a figura de Carlos Paredes impõe-se até pela amizade entre os dois intervenientes. Ao autor inesquecível da música “Verdes Anos” dediquei o poema com o mesmo título (cf. p.29 de “Micromundos”, 2005) e que aqui se transcreve:

VERDES ANOS

Era um tempo dividido:

manhãs de cinza, tardes de euforia.

Era um tempo de litígio:

noites clandestinas, sinais de asfixia.

Como esquecer-te guitarra de verdes

ramos rompendo a monotonia,

dor do passado, saudade do futuro,

ferida aberta em som tão puro.

Verdes anos que a música prometia:

como ave antiga, o canto nos trazia.

(MS)

O pai de Carlos Paredes, Artur Paredes fez parte da chamada «geração de ouro» do fado coimbrão, com António Menano e Edmundo de Bettencourt, entre outros –  e, diz-se, ensinou o filho com severidade e castigos sempre que Carlos cometia algum erro. O resultado foi o extraordinário virtuosismo da execução de Carlos Paredes. Em 17 de Maio de 1964, Paredes actuou  na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense. Outro dos artistas dessa noite, foi José Afonso. Este espectáculo inspirou o Zeca na criação de Grândola, a canção que serviria de senha principal para o arranque da Revolução de Abril. Paredes, Zeca e os demais artistas actuaram perante uma assistência constituída maioritariamente por gente pobre – trabalhadores da indústria corticeira, ceifeiras, alguns clandestinos ligados ao Partido Comunista…Saramago, na altura um escritor quase desconhecido, estava entre a assistência.. Foi nesta sessão histórica que José Afonso conheceu Carlos Paredes. Numa carta que escreveu aos pais, Zeca dizia, referindo-se ao prodigioso guitarrista –  «o que esse bicho faz com a guitarra!».

(CL)

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Nota – O texto mais pequeno, colocado logo abaixo da fotografia, é da autoria de Eduardo Gageiro. Os  textos que se seguem são os comentários de Manuel Simões e de Carlos Loures.

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