EDITORIAL – A RECICLAGEM DO FASCISMO

Imagem2Do mesmo modo que não se pode exigir que um cão deixe de ladrar e de uivar ou pretender que um gato deixe de miar, não se pode exigir a um ladrão que deixe de roubar. Ladrar, uivar e miar, são o modo de cães e gatos comunicarem e exprimirem sentimentos. A prática continuada do furto é aquilo a que o ladrão chama «actividade laboral». Do mesmo modo, é inútil tentar que um ultra-liberal ou um neo-liberal assumam posições democráticas. Um neo-liberal é um fascista reciclado e tornado apto para viver «em democracia». E, embora aparentemente fale a mesma língua que nós falamos, usa um dicionário em que os vocábulos possuem significados diferentes. As bitolas morais são também diferentes. É impossível estabelecer quem tem ou não tem razão. Para efeitos práticos, quem tem razão e quem fala verdade são os que detêm o poder. Aos outros, embora sejam a maioria, resta-lhes o poder protestar nas conversas de café… e nos blogues.

O neo e o ultraliberalismo estão nos antípodas da democracia – são a forma mimética que o  fascismo assumiu. Aí os temos, aos descendentes dos políticos de Salazar, reciclados como democratas. Um exemplo prático destes primeiros dias de 2014 – o chumbo do Tribunal Constitucional à convergência das pensões, abriu um buraco de 338 milhões de euros no orçamento de Estado, é compensado de que forma – recalibrando a «taxa de solidariedade» e aumentando os descontos da ADSE. É aquilo a que eufemísticamente se chama «acelerar o processo de auto-financiamento», ou seja ir aos bolsos dos mais carenciados buscar o suficiente para cobrir o que foi roubado por políticos corruptos e seus amigos – o buraco financeiro podia ser tapado com o congelamento de contas bancárias dos ladrões  e a transferência de activos ilícitos para os cofres do Estado. Podia?

Mas estamos a estabelecer raciocínios com base em pressupostos que nada têm a ver com os que os oligarcas manhosos que nos governam usam. Chamamos roubo ao que eles chamam capacidade empresarial, assertividade, ou outra treta do género. E quando nós e eles falamos de democracia, estamos a falar de coisas diferentes.

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