Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 165 – por Manuela Degerine

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Santiago de Compostela

Depois de – durante uma semana – andar à solta por caminhos de cabras, sinto dificuldade em me adaptar às lojas e turistas santiagueses, embora as praças, os edifícios, as igrejas, a catedral, as arcadas, as calçadas me causem um intenso prazer estético… Peço a Compostela no “Balcão do Peregrino” – a terceira. (A rapariga que ma entrega trabalhou em Lisboa no Turismo Espanhol – e tem saudades do Marquês de Pombal! Quem diria?…) Vou dar contas a Santiago dos que conheci durante o Caminho. Reze pela minha perna! Reze pela minha mulher que tem um cancro! Reze pelo meu filho que está desempregado! Fui apontando num bloco e agora, na catedral, quero reler os nomes e os pedidos. (Tenho a obrigação de transmitir estas preces.) Depois vagueio um pouco pelas ruas mas, não obstante ter vestido toda a roupa, uma camisola de algodão, duas de fibras polares e um colete… Começo a sentir frio. De súbito, sem aviso aos peregrinos, Santiago despeja as represas para cima da cidade. Só vejo gente a correr pelas ruas – aos berros.

Surgiram alguns raios de sol quando saí do Seminário Menor… Isto será uma simples chuvada. Aproveito para comer uma tortilha porém, quando me dirijo para a saída do restaurante, verifico que continua ainda a chover. A potes. Ah, que esperta… Trouxe do Seminário toda a roupa menos o impermeável. A água despenha-se pelos edifícios como se fossem falésias, forma torrentes pelas calçadas abaixo, sair é lançar-me nas cataratas de Iguaçu… (Ou quase.)

Tenho na mochila o impermeável e a roupa da noite (camisola e calções), mais nada de nada; e, mesmo assim, reduzindo as bagagens ao mínimo, carrego com duas vezes o peso que deveria transportar. Não… Não posso ficar com a roupa toda molhada. Nem pensar. É que, para além de chover, faz também frio… Sou capaz de vestir a camisola húmida com a condição de as outras peças do vestuário estarem secas. Ponho-me portanto à espera que a chuva cesse. Surgiu-me entretanto uma dúvida: a que horas fecham as portas do Seminário? Não previa regressar tarde, portanto não prestei atenção. Continuo à porta do restaurante mas, à medida que os minutos passam, vou-me sentindo cada vez mais inquieta.

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