Intérprete: Popular* (in LP “Amores de Maio”, Contradança, 1986, reed. Ovação, 1992, 1997)
[instrumental]
[Moda:]
Quero ir para o altinho
Que eu daqui não vejo bem;
Quero ir ver do meu amor
Se ele adora mais alguém.
Se ele adora mais alguém
Se ele ama a mim sozinho;
Que eu daqui não vejo bem,
Quero ir para o altinho.
[Cantiga:]
A alegria de uma mãe
É uma filha solteira;
Casa a filha, vai-se embora,
Vai-se a rosa da roseira.
[Moda:]
Quero ir para o altinho
Que eu daqui não vejo bem;
Quero ir ver do meu amor
Se ele adora mais alguém.
Se ele adora mais alguém
Se ele ama a mim sozinho;
Que eu daqui não vejo bem,
Quero ir para o altinho.
* Instrumentos: viola campaniça
Nota: «A viola campaniça, que outrora exercia sozinha a função de animar os bailes do Baixo Alentejo, é hoje um instrumento praticamente desaparecido. Com cinco ordens de cordas (duas triplas e três duplas) toca-se sobretudo com o polegar, acompanhando melodicamente o canto.
O alto é feito por uma mulher, uma terceira acima, e os homens cantam todos com a melodia, em coro, por vezes com um baixão.
Para evidenciar o toque da viola cantamos apenas com o baixão, a voz principal e o alto.» (Ronda dos Quatro Caminhos)
Romance de Dona Mariana
Letra e música: Popular (Algarve)
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (in LP “Amores de Maio”, Contradança, 1986, reed. Ovação, 1992, 1997)
[instrumental]
— «Fiz uma aposta, senhores,
ou de perder ou de ganhar:
dormir com Dona Mariana,
filha do conde Real.»
— «Não apostes, ó meu filho,
ai, que tu não hás-de ganhar!
Dona Mariana é muito séria,
ai, de ti não se deixa enganar.»
Vestiu-se em traje de donzília
e tratou de caminhar;
logo avistou Mariana
que andava a passear.
— «Eu sou Dona Mariana,
ai, não me posso demorar,
oh, que donzílias fora de horas
ai, não é bonito de andar!»
— «Cala-te aí, ó donzília,
ai, não te estejas a difamar,
oh, que será esta noite ainda
ai, que ao meu quarto virás ficar!»
Lá pela noite adiante
Dona Mariana quis gritar.
— «Cala-te já, Mariana,
Que eu sou Dom Carlos d’Além-Mar.»
— «Só te peço, ó Dom Carlos,
ai, que à praça não te vás gabar!
Oh, se o meu pai vem a saber
ai, ele me mandará matar!»
Ora, logo no outro dia
à praça se foi gabar:
«Dormi esta noite com uma menina
tão branquinha como um cristal:
era Dona Mariana,
filha do conde Real.»
Seu irmão que tal ouviu
a seu pai logo foi contar:
«Mande matar Mariana,
que se deixou enganar!»
— «Ó Dom Carlos, ó Dom Carlos,
ai, ó Dom Carlos d’Além Mar,
uma menina que vós tínheis
ai, não a deixeis mandar matar!»
Vestiu-se em traje de frade
ai, e tratou de caminhar.
— «Oh, a menina que aí levam,
ai, ela vai por confessar!
Sobe naquela liteira,
que eu sou Dom Carlos d’Além-Mar!
Oh, chegaremos ao meu palácio
e trataremos de ir casar.»
[instrumental / coro]
* Instrumentos: duas banjolas, baixo acústico, violino, três flautas, pandeiro, caixa e dois bombos
Nota: «Muito se tem ultimamente falado da influência da música árabe na nossa música tradicional. Por razões várias, que não cabe nestas linhas aprofundar, não concordamos muito com a influência deste ou daquele tipo de música, e inclinamo-nos para a opinião de Fernando Lopes-Graça, mais universalista, que contrapõe à ideia de influência a de semelhança pontual.
Assim, e como já aconteceu em trabalhos anteriores, onde determinados momentos seriam facilmente associados a música de várias regiões da Europa, resolvemos acentuar neste romance algumas passagens cuja linha melódica decerto lembrará a música dos povos do Norte de África.
Romance épico, de assunto carolíngio, com várias versões, é conhecido também sob os nomes de, entre outros, D. Carlos, Conde Claros, e Conde de Montalvar.» (Ronda dos Quatro Caminhos)
* Ronda dos Quatro Caminhos:
António Prata – viola campaniça, viola de arame, violino, concertina,
flautas e voz
António Silva Lopes – bombo, caixa, pandeiro, pinhas e voz
Daniel Completo – viola, pandeireta e voz
Fátima Valido – cavaquinho, bandolim, banjola e voz
João Cavadinhas – viola, viola braguesa, rajão, banjola, baixo acústico e voz
Participação especial:
A.C. – violino
Produção, arranjos, harmonizações e direcção musical – Ronda dos Quatro Caminhos
Gravado nos Estúdios Namouche, Lisboa, em Março e Abril de 1986
Técnico de som – Joca
Fadinho
Letra e música: Popular (Beira Alta)
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (in LP “Fados Velhos”, Contradança, 1986, reed. Movieplay, 1998)
[instrumental]
Deitei um limão correndo,
À tua porta parou;
Quando o limão te quer bem
Que fará quem o deitou!
Eu fui o que disse ao Sol
Que não tornasse a nascer;
À vista desses teus olhos
Que vem o Sol cá fazer?!
Subi ao céu por uma linha,
Duma nuvem fiz encosto;
Dei um beijo numa estrela
Pensando que era o teu rosto.
Minha terra não tem rosas,
Já secaram as roseiras;
As rosas da minha terra
São as mocinhas solteiras.
Esta noite caiu neve
Numa folhinha de couve;
Oh, quem me dera cair
Nos braços de quem me ouve!
Já lá vem o tempo alegre,
O tempo das desfolhadas:
É quando nascem os abraços
Que se dão às namoradas.
[instrumental]
Siga a Rusga
Letra e música: Popular (Minho)
Intérprete: Ronda dos Quatro Caminhos* (in LP “Fados Velhos”, Contradança, 1986, reed. Movieplay, 1998)