EDITORIAL – DIA DO PORTO – DE HOJE A UMA SEMANA

De hoje a uma semana, no dia 31 de Janeiro, celebramos aqui o Dia do Porto. Porquê? Porque o dia 31 é uma data emblemática – há 123 anos eclodiu no Porto a primeira revolta de matriz republicana. Muitos de nós (colaboradores e visitantes) são portuenses. Mas nós neste blogue defendemos o princípio de que Portugal é dos portugueses e, por isso todos, sejamos alentejanos, lisboetas ou madeirenses amamos o nosso Porto. Em breve dedicaremos uma edição a Lisboa. O que dizemos a seguir, uma introdução ao tema, não será novidade para os portuenses, mas talvez o seja para alguns dos que lá não nasceram.

Em Portugal, a primeira sede da Corte foi, como se sabe, Coimbra. Desde a Fundação até 1255, ali esteve instalado o rei. Nesse ano, no reinado de Afonso III, a Corte foi transferida para Lisboa. Mas os reis e os seus familiares, conselheiros e servidores iam deambulando pelo território (Mário Soares com as suas «presidências abertas», não inventou nada) – Santarém, Leiria, Coimbra… Porque, segundo julgamos saber, o termo «capital» não existia na Idade Média. Dizia-se a Corte. E a Corte era onde os reis estavam na altura.  Estas reais deambulações, desde o século XIV, não incluíam o Porto, pois uma carta de D. Fernando, datada de 1374, marcaria a história do Porto para os séculos seguintes. Por essa carta régia emitida pelo monarca a rogo dos burgueses da cidade, ficavam os nobres e prelados do reino proibidos de permanecer na cidade do Porto por mais de três dias. O direito de aposentadoria que obrigava os súbditos do reino a ceder a sua casa ao rei, a qualquer nobre ou alto prelado que assim o desejasse, deixou de ser observado no Porto. Um privilégio do burgo que deste modo, evitava a humilhação por que muitos súbditos passavam ao ver suas casas devassadas pelos nobres e suas comitivas, arrogantes, despóticos, e cometendo, por vezes, as arbitrariedades que se adivinham.

Esta medida real, solicitada pela burguesia portuense, vantajosa no curto-prazo, retirou protagonismo à cidade, dela afastando os eventos mais importantes, pois a Corte nunca por ali assentava arraiais. Importância que viria a recuperar, quase quatro séculos depois, no consulado do Marquês de Pombal, com a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 1756, e situando no Porto as infra-estruturas de escoamento do vinho produzido nas encostas do Douro – na época, o mais importante produto nacional de exportação.

O Porto foi o grande fenómeno de explosão urbana do século XIX. Estas medidas tomadas pelo Marquês de Pombal no que se refere ás vinhas do Douro e à utilização obrigatória do porto de Leixões para exportar o vinho duriense, deram à cidade um crescimento como até então nunca ocorrera em Portugal, salvo talvez na Lisboa quinhentista, com o afluxo de gente de toda a Europa. Há dados sobre o crescimento da cidade, nomeadamente do livro de Custódio Cónim – Portugal e a sua população (Publicações Alfa, Lisboa, 1990). Mas seria ocioso estar aqui a debitar números e a exibir gráficos e quadros estatísticos.

Imagem5Terra que tem dado ao País um poderoso contributo em todos os campos, no plano intelectual são tantas as figuras ilustres nascidas na cidade que não caberia aqui referi-las (sob o risco de se verificar alguma gritante omissão) – digamos que entre Fernão de Magalhães e Manoel de Oliveira, milhares de portuenses intervieram e intervêm activamente na vida artística, política, económica de Portugal. De hoje a uma semana, na sexta-feira dia 31, desde o primeiro ao último minuto, A Viagem dos Argonautas será inteiramente dedicada à cidade do Porto. Uma edição coordenada por um argonauta tripeiro – José Magalhães – poeta e fotógrafo – que nos proporcionará, estamos certos, um excelente trabalho.  Excelente é também o logótipo que o pintor e argonauta Dorindo Carvalho concebeu para esta edição e que mostramos aqui em dimensão apreciável.

diadoporto

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