PODIA SER DIFERENTE? PODIA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Dizer que um adolescente se enforcou dói na garganta, escrever “Enforcou-se um adolescente de 15 anos” dói na garganta, na ponta dos dedos, nos olhos e na nossa consciência enquanto adultos.

A primeira notícia da comunicação social foi que o adolescente era vítima de bullying na escola. Nenhum adulto tinha conhecimento.

Depois soubemos que ele tinha deixado uma carta à namorada e outra à mãe, nas quais não faz nenhuma referência à escola, nem ao bullying.

Depois soubemos que tinha uma relação complicada na família, e que era acompanhado pelo psicólogo da escola porque tinha problemas de comportamento.

Soubemos também que os colegas confirmaram que ele era vítima de bullying.

Muitos jovens, como este, que têm problemas na família e na escola, optam pelo doloroso silêncio, longe dos olhares dos outros, sentem-se impotentes para resolver o seu problema que julga ser só seu. Têm vergonha, têm medo.

Nenhum adolescente se suicida só por uma única razão.

A pressão familiar, telefonemas constantes da mãe, desconforto emocional, uma vinculação na família com lacunas, não ter os pais em casa quando chega da escola, ter os pais em casa, mas remetidos ao silêncio ou ao barulho das suas existências também complicadas, tudo contribui para um vazio, enquanto pessoa com as suas especificidades. O adolescente entra em roda livre num labirinto que lhe fecha o contacto com o mundo exterior.

Podia ser diferente? Podia.

Abro o jornal “O SOL” e leio “Violência sem justificação” entre dois grupos de jovens, por sinal filhos de famílias da” classe alta”. Podia ser diferente? Podia.

Abro a televisão e oiço “Assassinadas três mulheres no espaço de uma semana”. Podia ser diferente? Podia.

Fala-se durante semanas sobre estes acontecimentos e tudo volta à normalidade violenta, quer-se encontrar um culpado, uma razão.

Eu não quero encontrar um culpado nem saber o que foi determinante para as pessoas serem vítimas de tamanha violência. Não se pode pôr um polícia ao pé de cada pessoa, e ainda bem.

Mas pode-se desenvolver uma cultura de não violência.

Durante todo o dia somos “vítimas” de atitudes violentas. Os anúncios da televisão, os cartazes espalhados pela cidade para divulgação de filmes. Alguns programas de televisão, incluindo “A casa dos Segredos”. Não sei se se  lembram do primeiro Big Brother em um dos concorrentes deu um pontapé a outro. Pois foi assim: o agressor ficou no programa sem recriminação e era tema de conversa por todo o lado, banalizou-se o pontapé.

O efeito foi que nas escolas, onde já havia alguns comportamentos violentos, os pontapés foram a forma de violência que mais acontecia, foi o efeito replicador….

Os jogos de computadores banalizam a morte “O objectivo é matar o…. Ou ver quem mata mais”

Há pouco tempo, um jovem queria matar sessenta pessoas como um outro adolescente fez numa escola no Canadá.

Quem se embrenhou a fazer a natural agressividade transformar-se numa violência sem controlo, talvez possa passar a embrenhar-se no desenvolvimento de uma cultura de não violência.

É possível? É.

Aprendemos com os exemplos dos outros e essencialmente, como dizia Piaget, se a sanção social for importante em termos de perdas e ganhos.

É importante que se denuncie todos os casos de violência que conhecemos.

 Há vários números de telefone, um deles é o do SOS CRIANÇA, do IAC (Instituto de Apoio à Criança) cujo número é 116 111.

O da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima) 707 20 0077.

É importante a divulgação destes, ou outros, números de apoio à vítima.

E porque não, também ao agressor?

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