EDIÇÃO ESPECIAL DO DIA DO PORTO NA SEXTA-FEIRA 31 DE JANEIRO

diadoporto

 No Dia do Porto vamos ter uma quantidade muito grande de artigos, vídeos, crónicas, poesia, ficção, fotografias… Não trabalhamos para figurar no Livro Guiness dos Recordes, mas na sexta-feira iremos pelo menos bater o nosso máximo. A qualidade, sim, é a nossa preocupação. Tal como era para um portuense ilustre – Almeida Garrett:

ALMEIDA GARRETT: “NASCI NO PORTO, MAS CRIEI-ME EM GAIA” – por Carlos Loures

Almeida Garrett é uma figura que   identificamos com a cultura, com a literatura, com o teatro. Chamar-lhe-íamos   na linguagem dos nossos dias,Imagem1 “um ícone da cultura portuguesa do seu tempo”.   A sua preocupação com o aspecto, a maneira como se veste, indiciando o dândi,   o peralvilho, mais não é do que o invólucro enganador de uma personalidade   multifacetada, de um intelectual rigoroso, de um político corajoso, de um   homem de carácter, em suma. A sua preocupação com o aspecto talvez seja   apenas o desejo de agradar ao belo sexo, uma consequência do seu carácter de   sedutor impenitente. Revolucionário, jovem, com boa figura e um permanente   cuidado com a elegância do trajo e da postura, cria uma aura de heroísmo que   o faz ser bem recebido nos salões mundanos.

Casa na antiga Rua do Calvário, no actual nº 37 da Rua Dr. Barbosa de Castro.  Aqui nasceu Almeida Garrett.

  Em Viagens na Minha Terra diz; «Eu amo a charneca.. E não sou Romanesco.   Romântico, Deus me livre de o ser – ao menos o que na algaravia de hoje se   entende por essa palavra». A sua vida é constelada por casos amorosos. No seu   caso, o adjectivo romântico assume duas acepções, pois além do sentido mais   comum, no plano da arte e da literatura, Almeida Garrett é a figura de proa   do Romantismo em Portugal. “Romanesco”, não será. Mas duplamente romântico   não «se livra de ser».

Nasce numa família da alta burguesia.. O pai, Selador-Mór da Alfândega do   Porto, é um proprietário da ilha Terceira, com três irmãos eclesiásticos. A   mãe é oriunda de uma família minhota de origens humildes, mas que fez fortuna   no Brasil. O apelido Garrett, de ressonância aristocrática, foi recuperado de   uma antepassada irlandesa do lado paterno. É gente com teres e haveres e com   a noção do valor da cultura. O pequeno João Baptista recebe uma esmerada   educação guiada por dois dos tios paternos.

Em 1804, a família muda a residência para Vila Nova de Gaia, vivendo na   Quinta do Castelo, no lugar do Candal, freguesia de Santa Marinha, nas   proximidades das ruínas do Castelo de Gaia. Aqui terá ouvido falar na lenda   de Gaia que mais tarde dará origem a um poema seu. Depois, a família   transfere-se para a Quinta do Sardão, em Oliveira do Douro, propriedade   pertencente ao avô materno José Bento Leitão. Escreverá mais tarde:   “Nasci no Porto, mas criei-me em Gaia”. Mas Almeida Garrett não será   nunca uma figura regional. Não pertencerá ao Porto, nem a Gaia, nem a Angra   do Heroísmo, nem a Lisboa… Virá a ser uma figura nacional. Sem que isso   signifique a rejeição das suas origens – uma das frases mais citadas no Porto   é de Garrett, ostentando o seu orgulho tripeiro – «Podemos trocar os vês   pelos bês, mas não trocamos nunca a liberdade pela servidão».

Casa na antiga Rua do Calvário, no actual nº 37 da Rua Dr. Barbosa de Castro.  Aqui nasceu Almeida Garrett.

(in Almeida Garrett , Vidas Lusófonas http://www.vidaslusofonas.pt/garrett.htm)

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