HÁ QUE ESTAR VIGILANTE! Por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Durante muito tempo a violência e o bullying nas escolas eram notícia de que todas as pessoas gostavam de dar a sua opinião e de encontrarem essa culpa em alguém, sim a culpa porque se tratava de encontrar um culpado para se sentirem desresponsabilizados. Ora a culpada era a Escola que não tinha autoridade para castigar os alunos.

Durante muito tempo foi um alívio para o MEC e para a sociedade, em geral, apontar o dedo à Escola, mais concretamente aos professores. O MEC saía recompensado porque a violência na Escola era mais um argumento, subtil, de “ atirar mais uma pedra à imagem dos professores”.

Há anos que os professores vêm sendo os “culpados” do insucesso, do abandono, da indisciplina nas Escolas.

O MEC nunca se viu ao espelho para ver o número excessivo de alunos por turma, a falta de recursos humanos, a falta de grupos multidisciplinares e, ao mesmo tempo, alunos que se esforçam por progredir, professores que trabalham mais de 40 horas por semana para que os seus alunos não passem a ser mais um número para a estatística, os psicólogos e técnicos do serviço social impotentes para resolverem os problemas familiares e sociais dos alunos com dificuldades.

Nestes últimos dias o Ministro Nuno Crato tem-se dedicado a reunir com as Universidades, com os Politécnicos, com as Associações de Estudantes.

Acontece que estes alunos já são adultos que se regem pelas mesmas regras sociais que qualquer outro adulto não estudante.

Não quero fazer juízos de valor sobre a Praxe Académica porque não sou a favor da sua proibição, mas a favor de uma integração que promova o convívio entre pessoas sensíveis, democratas e respeitadores das regras sociais e dos Direitos Humanos; pessoas amantes da Cultura e do Conhecimento, pois estes alunos vão ser os futuros licenciados, mestres ou doutores que irão gerir a nossa sociedade…

Não posso tolerar que bandos de ditadores imponham aos mais fracos, porque ainda caloiros, regras e comportamentos humilhantes.

Faz-me lembrar a ditadura em que os líderes mandam e os súbditos obedecem para seu próprio bem, estes quando confrontados com a realidade ainda agradecem a maneira como são tratados.

O Primeiro Ministro e o Ministro da Educação e Ciência dão ordens e os súbditos não reagem. Estamos cada vez mais pobres e vivemos com uma brutal austeridade, pois é, vivemos acima das nossas possibilidades e, por isso, agora temos que empobrecer e ser mão-de-obra barata ou desempregados…

Tal como o MEC quer fazer na Escola, ninguém olha para ninguém, castiga-se, exclui-se.

O bullying de que tanto se fala não é exclusivo das Escolas do ensino não superior, nas Universidades também se manifesta, vejam-se as notícias que têm passado na comunicação social.

Afinal, o bullying não é um comportamento que só acontece na Escola, acontece nas Universidades, na rua…só que na rua é crime e pode ser denunciado nos tribunais.

Trata-se, repito, de adultos, futuros responsáveis do país. Estas Praxes já não são do foro do MEC, mas da Justiça…

Quando há violência baseada nas hierarquias, não há Democracia.

 A Democracia que custou a vida a tantos anti fascistas tem de ser respeitada.

Há que estar vigilante!

2 Comments

  1. Um artigo bem pertinente .

    Um incentivo reflexo de um problema que faz parte do cotidiano . Postei no meu face -obrigada .

    Maria [image: Imagem intercalada 1]

  2. Obrigada maria, é sempre gratificante saber que há mais pessoas interessadas naquilo que escrevemos e que têm uma palavra a dizer. Obrigada pela divulgação
    Luisa Lobão Moniz

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