PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS – GOVERNO MANTÉM FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS A TRABALHAR EM FUKUSHIMA

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31 de Janeiro de 2014

A realidade é séria demais e o caso chocante demais. Dos 100 funcionários da Direção-Geral de Energia e Geologia, 19 ficaram com cancro, nove dos quais já faleceram! A contaminação do edifício com fibras de amianto, que causam cancro, é conhecida desde 2012, mas os trabalhadores não foram transferidos das instalações. Hoje, confrontado com esta realidade, o Secretário de Estado da Energia disse que o caso se resolveria – numa questão de meses! E que os trabalhadores seriam transferidos nessa altura.

Artur Trindade, Secretário de Estado da EnergiaArtur Trindade, Secretário de Estado da Energia

O total desprezo e a desfaçatez com que este governo trata a vida das pessoas raramente terá sido tão claro como neste caso. Confrontado com uma taxa de prevalência de cancro da ordem dos 20%, num local de exposição prolongada ao carcinogénico amianto, um secretário de Estado anuncia uma decisão para meses depois, continuando a expor os trabalhadores a estas condições de perigo não só provável como provado. Artur Trindade diz que falta uma autorização do Ministério das Finanças e que é preciso encontrar uma melhor renda enquanto os trabalhadores continuam expostos a doenças mortais, que já vitimaram 9(!) dos 100 trabalhadores. Artur Trindade diz que a renda de um novo local tem de ser mais barata para que se possa fazer a mudança!!! Mas depois reconhece as condições de amianto dentro do edifício onde quer que os trabalhadores continuem a trabalhar!

Artur Trindade reconheceu que conhecia o caso desde há quase um ano “O que posso dizer é que o processo de mudança teve a sua origem no dia 28 de maio de 2013″, mas as queixas dos trabalhadores ao Governo já começaram há mais de dois anos. Até estar aprovada a solução, Artur Trindade mantém que os trabalhadores vão continuar no mesmo espaço, “até porque os relatórios sobre o amianto e que pediram a mudança de edifício não apresentavam qualquer prazo máximo para o fazer”. O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e a Quercus exigem a saída imediata destes trabalhadores dos escritórios da Av. 5 de Outubro.

O que desencadeou a situação agora foi uma carta, assinada por 66 dos trabalhadores, exigindo a mudança urgente para fora destas instalações, em particular depois da confirmação por parte de médicos alemães, consultando as análises de um dos trabalhadores que morreu de cancro fulminante, de que o mesmo «terá sido provocada por exposição prolongada a ambiente com amianto». O Ministério do Ambiente, liderado por Jorge Moreira da Silva, e o ex-Ministério da Agricultura e Ambiente, liderado por Assunção Cristas também têm gravíssimas responsabilidade neste caso, sendo que a demissão de todos estes governantes é um imperativo.

A realidade deste caso ultrapassa qualquer ilustração ou metáfora. Perante 9 mortos e 19 doentes com cancro, de entre 100 pessoas, com causa conhecida, demonstrada e identificada, o Governo diz que mudará a seu tempo estes trabalhadores de local de trabalho, desde que encontre uma renda adequada e passe por todos os processos burocráticos necessários. A morte de pessoas, nas mãos destes governantes, não interessa. São pequenos detalhes. O crime tão infame, perpetrado por estes governantes, não pode ficar impune.

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