LIVROS QUE MEDEM AS EMOÇÕES DOS LEITORES – por Carlos Loures

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Que os livros causam emoções, já sabíamos. Alguns livros, pelo menos. A novidade é a intensidade dessas emoções poder ser medida. Para a literatura, este invento não tem qualquer utilidade – que vantagem há em que ao ler Frankenstein, de Mary Shelley, se acendam luzes vermelhas, por exemplo? Talvez alguém que não gosta de ler, se sinta tentado a fazê-lo para experimentar a engenhoca. Mas, deixemo-nos de divagaações.

 
O famoso MIT (Massachusetts Institute of Technology) apresentou um prototipo   constelado de luzes LED que mudam de cor à medida que a trama ficcional vai   avançando. O leitor veste um colete munido de bolsas de ar que, gerando   mudanças de temperatura em pontos localizados do corpo. É o programa Sensory Fiction, que desenvolve   projectos tecnológicos baseados em fantasias de obras de ficção científica.   Lembro que há um exemplo em que a ficção coentífica doou uma invenção ao   mundo real . Os satélites artificiais em que o mundo das telecomunicações   hoje assenta foram «inventados» por Arthur C. Clarke, o autor de 2001 Odisseia   no Espaço, ou seja a engenharia tornou real um conceito  que o escritor concebeu, o de “satélite   geoestacionário” descrito num artigo de Clarke publicado em Outubro de 1945   na revista Wireless WorldCan Rocket Stations Give Worldwide   Radio Coverage?”.

A história que se usou no   protótipo , foi The Girl Who as Plugged in – premiada com o Hugo de 1974, a   autora Alice B. Sheldon que usava o pseudónimo de James Tiptree Jr. É uma excelente ficcionista e o colete do MIT nada vai acrescentar à sua glória literária. Como disse no artigo anterior, a edição usa os estratagemas do marketing – um livro que transforma o leitor numa espécie de árvore de Natal, com luzes a tremeluzir, não se pode considerar um avanço editorial, mas quem sabe se não pode, revelando as emoções que a leitura vai induzindo, ser uma terapia adequada para algumas patologias do   foro psicológico, por exemplo. Numa outra aplicação, os editores, usando o colete, ao ler os balanços contabilísiticos das suas casas de edição, poderão ver a cor que têm as suas emoções.

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