FALEMOS DE ECONOMIA, FALEMOS ENTÃO DE POLÍTICA – QUANDO A INCOMPETÊNCIA OU A MALDADE SÃO CONSIDERADAS QUALIDADES E, COMO TAL, PREMIADAS, por JÚLIO MARQUES MOTA

Quando a incompetência ou a maldade são consideradas qualidades e como tal, premiadas – IIª Parte – C

Ainda a propósito das recentes promoções de Vítor Gaspar, Álvaro Santos Pereira e José Luís Arnaut

(CONTINUAÇÃO)

Poderíamos ainda, como quarto instrumento possível, aumentar o excedente primário e com isso reduzir a dívida, ou seja, aplicar as ditas políticas de austeridade, desde que a contracção da procura interna em bens de consumo e de investimento daí resultante fosse mais que compensada pelo aumento das exportações, o famoso crescimento led-growth pelas exportações. Mas, num contexto de recessão generalizada essa hipótese está pois também excluída, como se tem visto, e continua assim a manter-se a única hipótese: pagar custe o que custar, pagar mesmo com a venda do país, como acabámos de afirmar.

Vimos anteriormente que:

gregos - I

e a condição da evolução do rácio da dívida vem então, em termos reais, dada por:

gregos - II

Admitamos, e somente para simplificar, que a dívida tende a estabilizar, ou seja, a ficar sustentável. Qual a condição para que tal aconteça? Se estabiliza significa pois que:

gregos - IIINeste caso:

gregos - IV

Eliminando  de um lado e do outro da igualdade temos:

gregos - V

ou então:

gregos - VI

Voltamos à mesma configuração que anteriormente: quanto maior for gr e menor for ir menor será a necessidade de existir um excedente primário para assegurar a sustentabilidade da dívida.

Admitamos agora a utilização da variável instrumental que são as despesas públicas, com uma impulsão ΔG. O seu efeito sobre o rendimento será então:

gregos - VII

onde  representa o multiplicador, sendo expresso por:

gregos - VIII

Sendo que a ΔG se chama variável instrumento ou ainda a variação autónoma da despesa, neste caso pública, onde m representa a propensão marginal a importar,

gregos - IX

em que c é a propensão marginal a consumir e (1-t) é o rendimento disponível por unidade de rendimento criada. A taxa de crescimento imputável exclusivamente à política económica expansionista seguida é então expressa por:

gregos - X

onde:

gregos - XII

Qual o impacto que esta política expansionista traz de imediato sobre o excedente primário, será então a primeira pergunta a fazer. Vejamos a resposta:

(27)  ΔEO=ΔT–ΔG.

O termo EO representa o efeito da política expansionista sobre o excedente primário. Logicamente será então a diferença entre o rendimento do Estado, as suas receitas imputáveis à variação de rendimento criada pela política autónoma, e a despesa feita pelo Estado. Dito de outra maneira, sabendo o multiplicador expresso por

gregos XIII

as receitas adicionais serão de gregos XVenquanto as despesas adicionais vêm ΔG.

(continua)

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Para ler a parte II – B deste trabalho de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

FALEMOS DE ECONOMIA, FALEMOS ENTÃO DE POLÍTICA – QUANDO A INCOMPETÊNCIA OU A MALDADE SÃO CONSIDERADAS QUALIDADES E, COMO TAL, PREMIADAS, por JÚLIO MARQUES MOTA

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