ÍNDIA – TERRA DE MUITA TRADIÇÃO SECULAR A IMPÔR COSTUMES JÁ NÃO ADMISSÍVEIS por clara castilho

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Andei um mês aqui a falar de avanços no que diz respeito à implementação dos direitos das mulheres, num pé de igualdade. Desde então, não paro de ler notícias que me horrorizam pelo ainda atraso que se verifica em todo o mundo. Vejamos só alguns casos ocorridos na Índia.

Uma jovem de 20 anos foi violada, em público e por 12 homens, por ordem de um chamado conselho de aldeia, ocorrendo na sequência de uma deliberação de uma autoridade tradicional, ou pelo menos tida como tal. Era o resultado de a jovem ter uma relação amorosa com alguém que não pertencia à sua comunidade de origem. O tal “conselho”  é composto por idosos do sexo masculino, conservadores que responsabilizam as “influências ocidentais” como perniciosas ( vestuário,  fast food…)

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A 1ª sentença foi a de pagar 50,000 rupias (£490). Como a família não o pode fazer, seguiu-se a “sentença” da violação pública e repetida! A vítima foi internada no hospital, os 12 homens foram presos, ente os quais ela reconheceu alguns vizinhos.

A adolescente indiana, vítima de duas violações colectivas, morreu, depois de se ter imolado. Os violadores tinham sido presos, mas as ameaças continuavam, a ela e a família, vezes sem conta, no sentido de os pressionarem a retirar a queixa contra os atacantes. Morreu por falência múltipla de órgãos, no primeiro dia do ano, uma semana de se ter imolado. As queimaduras afectaram-lhe principalmente o rosto e a garganta, deixando-a em grandes dificuldades para respirar.

Para agravar a situação polícia tentou cremar o seu corpo, sem o consentimento dos mais próximos. Brinda Karat, conhecida activista dos direitos das mulheres na Índia, acusou o governo do estado de Bengala Ocidental e a polícia de terem protegido os alegados violadores por estarem ligados ao partido localmente dominante, o Trinamool.

Mas ainda a este propósito, falemos de coisas positivas, que também as há. O Whistling Woods International Institute, na India, é uma escola de artes de Mumbai, que se preocupa com este problema. Nele fizeram o filme Dekh Le, numa uma campanha para promover o debate sobre o comportamento masculino na India. O vídeo já tem mais de 2 milhões de visitas em apenas duas semanas e mostra a face do assédio sexual. O olhar do abuso é refletido por objetos localizados no corpo das mulheres, deixando os homens desconcertados. Afinal, como reagiria o homem se o olhar perverso fosse voltado para ele?

Podemos ter esperança?

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