FRATERNIZAR: D. Manuel III, Patriarca de Lisboa dixit … – por Mário de Oliveira

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CO-ADOPÇÃO POR CASAIS GAY, A REFERENDO!

Garante que não é discriminação. Prefere rotular esta sua discriminatória postura, de “distinção”. Só não se percebe é porque uns são filhos, outros, enteados; uns têm direito a sentar-se à mesa, outros são obrigados a comer sentados no chão. Ou, se um referendo que, segundo ele, tem de ser feito, vier a dizer que uns quantos nem sequer têm direito a comer, devem simplesmente, não comer e, consequentemente, morrer de fome, o mesmo é dizer, devem guardar os seus afectos só para eles, porque a Lei, sempre a soberana Lei, agora a da Co-adopção, proíbe-os de os partilhar com crianças que não deram à luz, mas que queriam adoptar, ou que um deles tem e leva com ele para um casamento gay, mas que não poderá ser co-adoptado pelo outro membro do casal. Patriarca dixit, em entrevista à TVI24, do alto da sua cátedra, em Lisboa. Surpreendente?! Não!

 Só mesmo para quem em 2009 lhe atribuiu o Prémio Pessoa, era ele, então, o Bispo do Porto, ofício que deixou, mais ou menos às pressas, para correr ao cardinalato em Lisboa, que, afinal, não chegou, pelo menos, nesta primeira “fornada”, depois dele já ter tomado posse do Patriarcado de Lisboa. O papa Francisco trocou-lhe as voltas e D. Manuel III, apesar do pálio que foi, pressuroso, receber a Roma das mãos do mesmo papa Francisco – como se vê, dá uma no cravo, outra na ferradura! – terá, assim, de esperar pela próxima fornada. Ah! E, com todas aquelas pressas em subir a Patriarca de Lisboa, nem sequer cuidou de como ficaria a Igreja do Porto, após a sua saída, seis anos depois de nela ter entrado, aparentemente para ficar enquanto a Igreja do Porto quisesse e a morte o não surpreendesse antes dos 75 anos de idade. A verdade é que, desde então, a Igreja do Porto tem estado entregue à incompetência e à piedade opusdeísta de D. Pio que nem ata nem desata e, como ele próprio se sabe a prazo, pois é apenas Administrador Apostólico, nem sequer o serviço de manutenção consegue fazer bem. Nem ele, nem os 2 Bispos Auxiliares + 1 com os quais tem estado rodeado. Que isto de se ser bispo, hoje, é cada vez mais uma estopada. E logo no Porto. Provavelmente, não há candidatos à cátedra episcopal portuense. Só mesmo inconscientes ou vaidosos avançam. Ser Bispo, neste modelo de Igreja, é o que de pior podem fazer a um presbítero. Tem de ser muito beato, muito sacerdote pagano-cristão, muito carreirista eclesiástico, nada presbítero, nada jesuânico. Mesmo assim, será sempre um infeliz, quando se vir como um general sem oficiais e sargentos clérigos, só com leigas, leigos, e cada vez em menor número.

 Chegou, felizmente, ao fim este modelo clerical e cristão de igreja. Venha daí a Igreja-Movimento de Jesus, mais fermento na massa, mais clandestina que visível, com mulheres e homens em igualdade de direitos e de deveres, sem nenhuma discriminação relativamente aos ministérios ordenados e relativamente ao casamento, sim ou não, independentemente, da orientação sexual de cada qual. Já que, ou somos todas, todos, filhas, filhos de Deus, ou, então, Deus é, Ele próprio, a fonte primeira de discriminação e, nesse caso, faz todo o sentido o ateísmo, como bem sublinhou o Concílio Vaticano II, de feliz memória, iniciado no mesmo ano em que eu próprio fui ordenado presbítero da Igreja do Porto. E que nunca deixei de ser, com a mesma naturalidade com que respiro e com a mesma naturalidade com que, desde Janeiro de 1975, aceitei ser simultaneamente jornalista profissional. Hoje, jornalista já reformado, mas ainda activo, por isso, de graça, tal como sou presbítero de graça e à intempérie, nas margens, bem longe dos privilégios eclesiásticos e outros, que sempre aviltam e castram mentalmente quem os aceita.

 D. Manuel Clemente defende, nessa entrevista, que “os direitos das minorias devem ser referendados”. Sinal inequívoco de que, para ele, as mulheres, os homens, com orientação sexual não acentuadamente heterossexual, não são bem mulheres, homens, são uma espécie de mulheres, homens com defeito, fruto, quem sabe, duma tremenda distracção de Deus Criador. Isto, só mesmo o cristianismo e o seu Deus são capazes de conceber e, por isso, reivindicar que as Leis do Estado também concebam e aprovem. Já é grave, muito grave, que seja necessária uma Lei especial para casais gay poderem casar em igualdade de direitos e deveres aos casais heterossexuais. Mais grave ainda, que, para poderem, sim ou não, co-adoptar crianças, tenha de haver um referendo, que não houve para os casais heterossexuais. A menos que se considere que isto de ser gay, lésbica, bissexual e transexual é um defeito de fabrico e os seus portadores devem ser estigmatizados, desclassificados e serem excluídos dos direitos constitucionais de todo e qualquer País do mundo!!!

 É mesmo de bradar aos céus e à terra, esta moral moralista do Patriarca de Lisboa, D. Manuel III. Em boa verdade, nem é dele. É do cristianismo e da igreja cristã católica romana e do seu evangelho, o mesmo de S. Paulo, para quem até a mulher, pelo simples facto de o ser, tinha de viver sujeita ao pai, enquanto menor, e, depois, ao marido, se casada; e, se virgem, sujeita à superiora do convento, ou ao bispo que recebia o seu voto de virgindade. E ainda há que quem continue a orgulhar-se de ser cristão!!! E quem escreva que o melhor que se pode dizer de alguém é que é um bom cristão! Talvez, porque, isto de gostos, não se discute. Mas seria bom que se discutisse, porque, certamente, muitas mais pessoas abririam os olhos da mente/consciência e dariam um rumo bem mais humano e bem mais ao jeito de Jesus, ao seu viver na história, em lugar de passarem o tempo nos templos, nos santuários, nas missas, nas catequeses, nos altares, nas peregrinações, nas rezas dos terços e nas procissões, velas na mão e andores sobre os ombros. Uma lástima!

Alerta, pois, casais LGBT do País. D. Manuel III, Patriarca de Lisboa, celibatário, certamente, de orientação heterossexual, defende que o vosso direito natural e constitucional a co-adoptar crianças deve ser referendado. Vede se lhe dizeis, com afecto, que não quereis que as crianças que ficaram sem pais, cresçam sem afectos, como cresceram os meninos retirados às famílias e metidos em seminários tridentinos, orientados só por clérigos celibatários, ou em asilos só para rapazes, ou só para raparigas, onde qualquer manifestação de afecto tinha de ser reprimida, sob pena de expulsão, por tendência homossexual. Sei que tereis afecto bastante, para lhe pedir que aceite conversar convosco e, no final, tereis conseguido que ele passe de homofóbico a homófilo. Porque, afinal, o mesmo Deus que nos fez/faz heterossexuais, também nos fez/faz homossexuais. E, depois de concluída a sua obra, viu que tudo era bom. E, até, dançou! Dançareis, também, com Manuel Clemente, bispo da Igreja de Lisboa, simplesmente. Já que todos os títulos que actualmente ostenta e respectivos símbolos, são vaidade. Piores do que esterco!

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