Passou ontem o 75º aniversário da morte de Antonio Machado, o poeta andaluz que nos ensinou que o caminho se faz ao caminhar. Com a guerra quase perdida para a República, com Barcelona na iminência de ser tomada pelos franquistas, naquele dia de Inverno, na pequena povoação francesa de Colliure, num quarto de pensão, morria António Machado. Com a vitória da barbárie fascista, os literatos do regime tentaram apagar a obra de Antonio Machado, mas não o conseguiram. As suas luminosas poesias nunca deixaram de ser recordadas, cantadas, sentidas. E hoje, 75 anos depois de ter morrido, a sua poesia é uma inextinguível chama.
Em Colliure, em Madrid, em Segóvia, em Sória e na sua Andaluzia natal houve celebrações e homenagens. No Ateneo de Madrid, instituição à qual o poeta sevilhano esteve muito ligado, realizou-se na sexta-feira um acto pleno de significado – um actor (José Sacristán) recitou versos de Machado, um reputado professor (Ian Gibson) falou sobre a obra do autor de Campos de Castilla. Uma sobrinha, hoje nonagenária, recordou seu tio no convívio familiar.
Nem sempre o obscurantismo triunfa. A poesia de Antonio Machado vive e brilha como um sol de Inverno:
Es mediodía. Un parque.
Invierno. Blancas sendas;
simétricos montículos
y ramas esqueléticas.
Bajo el invernadero,
naranjos en maceta,
y en su tonel, pintado
de verde, la palmera.
Un viejecillo dice,
para su capa vieja:
«¡El sol, esta hermosura
de sol!…» Los niños juegan.
El agua de la fuente
resbala, corre y sueña
lamiendo, casi muda,
la verdinosa piedra.
(Antonio Machado, “Sol de invierno” – Obras completas. Ed. Aguilar)

