Cidade, sombra, luz – 15 – Veneza – fotografias por Fábio Roque

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Nas palavras que acompanham as fotografias de Fábio Roque (que fogem ao que é convencional e procuram mais a essência do que a ‘beleza’, temos muitas vezes preferido a visão desapaixonada de escritores estrangeiros a descrições feitas por naturais das cidades.  Foi o que fizemos com Veneza, que deve ser das cidades do mundo mais celebrada em poemas, com mais descrições romanescas – uma cidade extremamente bela e sedutora (mas que não cabe inteira num bilhete postal). Thomas Mann, o grande escritor alemão, Prémio Nobel da Literatura em 1929, na novela Morte em Veneza, descreve-a de uma forma que se situa no anverso das descrições mais comuns – diz assim: Um ar quente e abafado abatia-se sobre as ruelas, um ar denso e os odores que saíam das casas, das lojas e cozinhas, um cheiro a azeite, nuvens de perfume e outras emanações, ficavam como que petrificados, não se dispersavam. O fumo do tabaco persistia, coalhado e só a pouco e pouco se ia desfazendo. […] Atravessando algumas ruas, furtou-se aos bairros comerciais, onde as pessoas se acotovelavam, e foi até aos bairros pobres. Viu-se assaltado por uma nuvem de mendigos, ao mesmo tempo que os odores pútridos dos canais lhe cortavam a respiração.

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