Até agora, o que acontece é que as violações só são investigadas quando os visados são menores ou quando do crime resulta o suicídio ou morte da vítima, e isto mesmo que as vítimas não apresentem queixa. E é exigido que o crime de violação seja um acto sexual praticado “por meio de violência” ou “ameaça grave”.
A violência doméstica abrange no conceito definido no Código Penal ofensas sexuais. Estas situações são punidas com uma pena de 1 a 5 anos e a na violação a pena é de 3 a 10. Neste momento podem acontecer duas situações: uma mulher vítima de ofensas sexuais pelo marido ou companheiro, pode beneficiar do estatuto de vítima da lei 112/2009 e o crime é público e uma mulher violada pelo marido ou companheiro já não pode beneficiar do estatuto de vítima previsto nos casos de violência doméstica, nem o crime é considerado público.


A Profª Clara Sottomayor divulgou no facebbok que este projecto de lei apresentado pelo Bloco de Esquerda, que “altera a previsão legal dos crimes de violação e coação sexual no código penal” tinha sido aprovado na generalidade com os votos favoráveis do BE e de “Os Verdes” e a abstenção dos restantes partidos. Li isto e pensei: uma boa notícia para o Dia Internacional da Mulher. Mas, logo a seguir, a UMAR divulgou que o PSD e CDS-PPse tinham manifestado hoje disponíveis a regulamentar a lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG), nomeadamente no fim da isenção de taxas moderadoras, perante a oposição irredutível de PS, PCP e BE. É o que se chama dar com uma mão e tirar com a outra!