Os três dias de folia que precedem a quarta-feira de cinzas são o Carnaval.. A palavra vem do latim “carna vale” que significa dizer adeus à carne. Para uns, desde a Grécia, aí 5oo anos a.C., para outros mais atrás, do Egipto. Agradecia-se a fertilidade da época que se iria seguir. Na Idade Média, o cristianismo quis controlar os festejos, reduzindo-os aos 3 dias, fazendo seguir-se 40 dias de controlo até à Páscoa, com penitência e privação. Foi só no século XIX que se tornou organizado e turístico. As máscaras remontam da época do Renascimento.
Em Portugal, encontramos um misto de paganismo e de religiosidade. Temos (ou tínhamos…) o enterro de uma personagem, de um animal ou de uma coisa comum (o mais comum é o Enterro do Bacalhau ou do Meco, figura de palha que simboliza o Inverno), um julgamento, que funciona como sátira à imposição eclesiástica de abstinência e jejum durante a quaresma e os caretos, personagens mascarados do nosso nordeste em que homens usam máscaras de vários materiais (couro, madeira, latão), pintadas de cores vivas. É a oportunidade para se utilizar a malícia, se inverterem os papeis (o mendigo assume o papel de rei, o homem disfarça-se de mulher) e se criticar abertamente a ordem estabelecida.
Penso que este significado nem sempre está claro na forma como agora se assinala esta época. Predominam programas com festejos comerciais, fatos à vendas a preço reduzido e reproduzindo personagens do cinema. Já não se confecciona os fatos dos personagens se quer incarnar. E os cortejos importados do Brasil, em que a época é quente e permite a quase nudez, aqui em tempo de chuva são verdadeiramente deprimentes. Para além disso, já nem feriado nacional temos. Foi mantido nalgumas regiões, devido a questões comerciais.
Lembro-me da frase “É Carnaval, ninguém leva a mal”. Lembro-me das partidas inocentes que se faziam. Para as crianças era a oportunidade de pequenas vinganças contra alguns adultos menos queridos – objectos colocados em pontos estratégicos, croquetes de algodão, moscas na sopa, papéis com frase jocosas colados nas costas… A imaginação de cada um a funcionar. E o outro a não levar a mal.
Este ano questionámos as nossas crianças sobre tudo isto e sobre as partidas. Népia, não sabiam mesmo nada! Carnaval = não haver escola, um desfile no estabelecimento uns dias antes, um fato para vestir. Para os meninos, fatos de pirata, homem aranha, cowboy, fantasma… Para as meninas imperam as princesas, as Cinderelas, as bruxas. Para os que têm mais verbas para gastar algumas lojas vestem-nos com as figuras dos últimos filmes de desenhos animados.


