NATAL DE 2013: EMPOBRECIMENTO E REGRESSÃO SOCIAL HISTÓRICA EM TODA A UNIÃO EUROPEIA – por FRANÇOIS ASSELINEAU

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

europe_pol_1993

Natal de 2013 : Empobrecimento e regressão social histórica em toda a União Europeia

François ASSELINEAU

Parte I

empobrecimento - I

As estatísticas que acabam de ser publicadas no final de Dezembro pelo Eurostat relativamente ao mês de Outubro de 2013 são terríveis.

Elas são–no tanto mais quanto elas não podem ser consideradas como suspeitas de estar a tornar mais negro o quadro, bem pelo contrário! Na verdade são estatísticas publicadas por um organismo dependente da Comissão Europeia, e baseiam-se em dados oficiais dos Estados-Membros, que são, todos sabem, muitas vezes maquilhadas por truques metodológicos (parques de estagiários para fazer descer a taxa de desemprego e eliminações abusivas para reduzirem artificialmente o número de desempregados, por exemplo).

Estes dados Eurostat para Outubro de 2013 são os seguintes :

Grécia : 27,3 % de desemprego oficial para o conjunto da população. E 54,8 % do desemprego para os jovens (de 15 à 24 anos).

Espanha : 26,7 % de desemprego oficial para o conjunto da população; 57,4 % de desemprego para os jovens.

Croácia : 17,6 % de desemprego oficial para o conjunto da população; 52,4 % de desemprego para os jovens.

Chypre : 17,0 % de desemprego oficial para o conjunto da população; 43,3 % de desemprego para os jovens.

Portugal : 15,7 % de desemprego oficial para o conjunto da população; 36,5 % de desemprego para os jovens.

Eslováquia : 13,9 % de desemprego oficial para o conjunto da população; 31,5 % de desemprego para os jovens.

Bulgária : 13,2 % de desemprego oficial para o conjunto da população; 28,8 % de desemprego para os jovens.

Irlanda : 12,6 % de desemprego oficial para o conjunto da população; 26,0 % de desemprego para os jovens.

Itália : 12,5 % de desemprego oficial para o conjunto da população; 41,2 % de desemprego para os jovens.

empobrecimento - II

Estas estatísticas brutas são reflectidas na vida diária pelo empobrecimento histórico e pela regressão social em todo o continente europeu, sem precedentes desde a crise da década de 1930:

ALEMANHA: 1 alemão em cada 7 é pobre e a taxa de pobreza acaba de atingir um valor recorde

Ao contrário da bobagem que é amplamente veiculada pelos media franceses, a situação na Alemanha não tem nada de brilhante.

Uma das razões pelas quais a economia alemã tem resultados macroeconómicos relativamente satisfatórios, especialmente quanto ao desemprego (taxa de desemprego oficial de 5,8%), assenta nas reformas do mercado de trabalho chamadas “Hartz reformas”.

Estas reformas, realizadas entre 2003 e 2005, foram concebidas para reforçar a luta contra o desemprego’ voluntário’. Eles derivam o seu nome de um alto dirigente no sector privado, que inspirou a “esquerda” no poder de então e pelo mão do Chanceler Gerhard Schröder (SPD): Peter Hartz era director de pessoal da Volkswagen, onde negociou acordos com horários flexíveis.

Peter Hartz – tornou-se, assim, o mestre do governo social-democrata – demitiu-se depois de um enorme escândalo de corrupção em 10 de Julho de 2005…

(continua)

1 Comment

Leave a Reply