A Maneca – poema de Rachel Gutiérrez

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Seu nome era Maria

mas ela não queria

queria ser Simone, Carla

Bianca ou Bia.

Iria ser maneca, iria ser

Boneca. Teria o Sucesso!

Fez tudo o que podia

(e até o que não devia)

Ah! de quanta cama

se pavimenta a Fama!

Até que, enfim, um dia

Maria

(Simone em codinome)

pensou ter atingido a glória

de artista- o centro da Revista!

Depois de tanta pose

de todo o corpo em closes

e cada vez mais perto

daquele centro aberto

a câmera captou

a sua nudez toda.

Simone, ou Maria

ansiosa, abre a revista

– só dela estava à vista

a Vulva, sem mais nada…

Maria, enlouquecida

subiu, do prédio a escada

e, de onde é linda a vista

voou para a calçada.

E nada disso, nada

saiu noutra revista.

(in mulheres(in)versos,, Massao Ohno, Rio/São Paulo)

Ilustração: Quadro de Dorindo Carvalho

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