DIA DA MULHER por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Hoje é sábado, mas não é “Porque Hoje é Sábado” que é dia Mundial das Mulheres, é sim, como sabemos, porque muitas mulheres lutaram pelos seus direitos enquanto eram violentamente tratadas.

A dor das mulheres é a dor da humanidade. A Natureza concedeu à Mulher o que de mais maravilhoso a Natureza nos dá, o nascimento de uma criança.

A Natureza considera as mulheres iguais aos homens pois ambos, nascem, crescem, morrem biologicamente da mesma maneira. No entanto, crescem de forma diferente, estão nos empregos e na rua e alguns homens olham para elas de forma pecaminosa,  pois para alguns homens a mulher significa uma fonte de prazer e de desprezo. Enquanto são jovens e bonitas quase todos as querem “ter” como objecto e de preferência, submissas.

Quando as mulheres dizem “não” em casa, são maltratadas, levam violentas tareias…, se dizem “não” no emprego, na primeira oportunidade são despromovidas ou despedidas, conforme o cargo que ocupam. Quando alguém repara nas suas nódoas negras dizem que caíram nas escadas. Quando são despedidas dizem que o patrão queria abusar delas.

As mulheres crescem a ver, a ouvir testemunhos de outras mulheres maltratadas e intimamente sentem que “Não, não só eu que sou maltratada…”

Que sociedade é esta que, em pleno século XXI, permite que todos os dias 4 mulheres sejam batidas? que permite que sejam assassinadas e não importa como, são assassinadas.

Poderia citar muitas situações de abusos e de maus tratos, como também posso citar muitas situações de mulheres que lutam pela sua dignidade, às vezes sozinhas, outras vezes acompanhadas pelas associações que as defendem (bem hajam).

Há quem exponha a sua situação de vítima nos meios de comunicação social. Todas têm mérito e coragem, o que a sociedade no seu colectivo não tem.

Quando as mulheres são maltratadas, são-no também os seus filhos, que muitas vezes querem defender a mãe e acabam por levar tareia também.

Os gritos destas mulheres, as lágrimas destas crianças são a nossa vergonha e a nossa fraqueza.

Quando conhecemos alguém que conseguiu dizer “Basta!” pensamos “Como foi possível que esta mulher tivesse levado uma vida cheia de violência?” e ficamos fascinados por ela, por estas mulheres, mas…e pelas outras o que sentimos?

Nada, porque nos são invisíveis. Sabemos, vagamente, que as mulheres são maltratadas, abusadas, discriminadas, medrosas, inseguras, mães, filhas e que algumas vezes há quem diga “vivem assim porque querem”. Porque querem? mas alguém quer ser maltratado, discriminado? Alguém quer ver os seus filhos sofrerem porque há um homem (muitos) que maltrata toda a família?

Foi necessário fazer-se a declaração dos Direitos das Mulheres a partir da Declaração dos Direitos do Homem (assim se chamava, até que inteligentemente se passou a tratar da Declaração dos Direitos Humanos) porque os direitos não eram aplicados às mulheres.

Ao longo do tempo verificou-se que tanto as mulheres como as crianças tinham as suas especificidades e por isso se fez a Declaração dos Direitos das Mulheres e a Declaração dos Direitos da Criança. Muitos filmes, romances, poemas têm sido feitos na denúncia da situação social, económica e cultural das mulheres.

Muitos filmes, romances, poemas têm sido feitos a enaltecer a coragem das mulheres na vida social social, económica e cultural das mulheres.

Enquanto escrevo este texto, quantas mulheres terão sido humilhadas?

É urgente mudar as representações que a sociedade tem de se Ser Homem, de se Ser Mulher, de se Ser Criança.

É preciso haver legislação adequada para que os prevaricadores sintam que a sanção social é mais forte do que o benefício de exercer o poder que não têm.

É preciso reconhecer a igualdade de género, a igualdade de se ser homossexual, reconhecer a igualdade de se ser solteiro ou de se ser casado.

É preciso reconhecer o direito a todos à adopção de uma criança.

É preciso uma aprendizagem social que cabe a todos, principalmente aqueles ou aquelas que não são vítimas de violência, seja doméstica, seja empresarial ou cultural…

Não basta saber que existem Mulheres maltratadas, para que a calma se instale nos lares de todas as mulheres, é preciso actuar.

Temos que dar esperança de uma vida melhor para todas, não esquecendo que estas todas são transversais a todas as classes sociais, a todas as idades, a todas as etnias.

Temos que aceitar que tenham vergonha de denunciar a sua vida de violência. A vergonha é um sentimento que tem a ver com a dignidade.

Ninguém gosta que outros saibam, vejam e digam que  vive mal e que não é capaz de “romper” esse mal estar.

A Vergonha trás o medo atrás de si, o medo de perder os filhos, o medo de ser expulsa de casa, o medo de ser ainda mais maltratada, o medo de ser despedida, o medo de ser vista como vítima.

Mulher, Criança, Homem têm dignidade, vergonha e medo, então porquê discriminar seja quem for, maltratar seja porque razão for, porquê usar um poder discriminatório sobre o Outro, que se pensa ser o mais fraco?

As vítimas também fazem História, e quantas vezes, são os poderosos que são julgados socialmente e as vítimas relembradas como corajosas.

O Dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher faz-nos reflectir sobre a Mulher e o Mundo, e as relações inter e intra pessoais.

Porque se lembram os homens de nos dar uma flor? Que representações têm eles deste dia e da flor?

A plena igualdade entre géneros só se consegue em democracia, por isso é preciso DAR VIDA AO 25 De ABRIL.

2 Comments

  1. Obrigada Rachel.
    Há pouco tempo, através deste blog é que conheci a Raquel e gostei muito doseu trabalho. Parabéns Rachel

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