NATAL DE 2013: EMPOBRECIMENTO E REGRESSÃO SOCIAL HISTÓRICA EM TODA A UNIÃO EUROPEIA – por FRANÇOIS ASSELINEAU

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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Natal de 2013: Empobrecimento e regressão social histórica em toda a União Europeia

François ASSELINEAU

PARTE V
(CONCLUSÃO)

O desemprego não é o único responsável pela pobreza dos europeus. O subemprego é também uma das principais causas. Os dirigentes das empresas, pressionados pelos accionistas cada vez mais gananciosos, exploram uma força de trabalho, desesperada e pronta a aceitar qualquer tipo de trabalho: empregos má qualidade e muito mal pagos, “biscates” de algumas horas por semana, «estágios» pagos por uma miséria que são agora propostos aos jovens licenciados durante um ano antes de os expulsar e substituir por outros jovens licenciados.

Assim, todas as belas promessas feitas pelos proponentes da construção europeia – em especial aquando da ratificação do Tratado de Maastricht há já 21 anos – foram desmentidas pelo mundo real.

Contudo, e isto é ainda o que é talvez o mais chocante neste colapso geral de todo o continente europeu, o mesmo grupo de europeístas continua o seu trabalho de destruição porque eles trancam os meios de comunicação.

Porque, enfim! Estes são os mesmos políticos e os mesmos chamados “especialistas” europeístas que nos tinham prometido a toda a gente montes de coisas maravilhosas que nos traria o Tratado de Maastricht, criando a União Europeia e o euro, que monopolizam ainda todos os programas de televisão e todas as estações de rádio para nos explicarem como escapar do inferno económico e social em que eles mergulharam o continente!

Não obstante a sua omnipresença nos media,, que credibilidade podem ter ainda os Jacques Delors, Valéry Giscard d’Estaing, Michel Rocard[1], Jacques Attali, Martine Aubry, Michel Sapin, François Bayrou, Nicolas Baverez, Alain Minc, Yves-Thibault de Silguy, etc., que nos tinham garantido que o euro faria da França uma economia mais competitiva e mais próspera, que eliminaria o desemprego e os ataques especulativos?

Eles deveriam limpar as paredes, a multidão dos desempregados deveria levá-los a tribunal por fraude e divulgação de notícias falsas e contudo eles continuam a pavonear-se na TV, como se fossem não tenham nenhuma responsabilidade no que está a acontecer! Não somente eles são os verdadeiros responsáveis por terem imposto que tem o efeito de destruir a indústria, a agricultura, os benefícios sociais e o nível de vida dos povos da Europa, mas têm além disso o atrevimento sem limite de continuar a tomar a pose do Sábio e do Perito em face dos jornalistas pagos para lhes fazerem as vénias.

Eles asseguram-nos que, fora da União Europeia, seria um desastre? Mas o que é que eles dizem do desastre que se está a criar?

Eles estão a ameaçar-nos de um “ataque especulativo” contra o futuro franco, ou escudo, ou peseta? Mas o que é que eles nos dizem sobre a taxa de câmbio do euro tão supervalorizado que leva a um encerramento de uma fábrica e à perda de 700 empregos industriais por dia de trabalho desde há 7 anos?

Seria não só absurdo mas igualmente criminosos que os franceses dêem ainda a menor atenção e o mais pequeno crédito às falsas profecias de responsáveis políticos europeístas e de jornalistas que estão ao seu serviço. Nós devemos sair da armadilha europeia e o mais depressa possível.

François ASSELINEAU

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[1] Quanto a Roccard, se a crítica assenta que nem uma luva quanto   ao seu passado político não me parece que agora o presente texto lhe seja aplicado. E quanto ao passado nele estão todos os que participaram na construção europeia a partir de meados dos anos 80 do século passado. Apesar da idade avançada  e de   estar muito enfraquecido, não deixou de tomar sucessivamente posição contra a política suicida escolhida por Barroso e Companhia  e portanto isso deve ser reconhecido. Podemos dizer que as pessoas foram embaladas na lógica da modernização, podemos admitir que a algumas delas esse erro não seria admissível. Podemos tudo isto, mas também devemos reconhecer quando as pessoas  assumem  que o caminho estava errado e de que maneira! Roccard, com a sua frontalidade habitual, assumiu-o. Jacques Delors idem, Martine Aubry igualmente. Veja-se no Verão que antecedeu as eleições a sua luta contra Hollande e contra a defesa que este fazia da regra de ouro de Merkel. E  quando esta representa que o Estado deve   desaparecer como grande actor na economia. Para socialista, é demais.

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Para ler a parte IV deste trabalho de François Asselineau, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

NATAL DE 2013: EMPOBRECIMENTO E REGRESSÃO SOCIAL HISTÓRICA EM TODA A UNIÃO EUROPEIA – por FRANÇOIS ASSELINEAU

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Concluída hoje a publicação do texto de François Asselineau, publicaremos amanhã, como anexos, alguns elementos que permitirão ao leitor obter uma ideia mais pormenorizada do desfasamento entre as promessas feitas sobre a construção europeia, e a realidade presente.

1 Comment

  1. … Os empresários gananciosos e os políticos maliciosos. O desemprego resulta directamente da deterioração da ecónomia a qual, por sua vez resulta apenas e só da distribuição estupida da riqueza que todos produzimos, Já agora, justiça social, é precisamente a distriuição justa dessa riqueza que apenas se obtém pela justa remuneração do trabalho.

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