A UCRÂNIA E O BLOCO ATLANTISTA, por OLIVIER DEMEULENAERE

Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota

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Um texto  que deve ser lido face ao desespero das maquinações que sobre Kiev foram feitas e que por parece claro, teremos sido sistematicamente apoiadas pro Bruxelas, como um grito de raiva contra essas mesmas maquinações. Só  isto.  Mas é um texto de um grande blog especialista em questões de economia e da União Europeia,  Olivier Demeulenaere – Regards sur l’économie cujo endereço é:

 http://olivierdemeulenaere.wordpress.com/

Júlio Marques Mota

 

A Ucrânia e o bloco atlantista

Olivier Demeulenaere,   6 de Março de 2014

OTAN

 

“4/03/2014. Ter-se-á tudo visto, tudo entendido. Do insignificante Fabius que evoca “sanções orientadas” contra a Rússia como se tratasse da Líbia de Kadhafi; passando por Angela Merkel que murmura ao ouvido de Obama que “Putine vive num outro mundo”, até ao próprio  Obama   que pretende que a Rússia “está do mau lado da História”. Tudo, digo, tudo. E sobretudo as piores burrices. Porque sejamos claros: sim, certamente, o que se passou em Kiev a  21 e 22 de Fevereiro foi bem um golpe de Estado. Foi de tal forma um golpe de Estado que o acordo assinado entre Governo e “oposição” não viveu 20 segundos. Sim, certamente, é  verdade que  os Russos ajudaram à sua assinatura para evitar a guerra civil na  Ucrânia  e que  foram enrolados em farinha. Sim ainda, certamente, a intervenção russa na Crimeia era previsível, ou até mesmo legítima. E sim por último, certamente, trouxe o mundo para as piores horas da guerra fria, com possibilidade de confrontação nuclear, e com tudo isto a ser da   responsabilidade total  e exclusivamente das alucinadas elites  ocidentais .

«Do mau  lado da História .» Verdadeiramente ?

Então hoje digamo-lo  sem ambiguidades, sem a retenção na qual  nós nos esforçamos  habitualmente para não cair   na grossaria que nos incomoda tantas vezes, digamo-lo como um grito do coração, quando se  trata de comentar a política  histericamente  mortífera  do chamado “mundo livre”:  digamos por conseguinte sim, digamo-lo  sem ambiguidades  nem contenção: que todos os tecnocratas alucinados vão para  o diabo!

Todos os pequenos fabricantes do horror de massa que vociferam, destabilizam,  apelam à  guerra, lançam ou apoiam garantem ratonnades, pretendem combater mas apoiam o terrorismo, todos estes  pequenos lacais de uma  ideologia neoliberal  mortífera que conduz o mundo para a  asfixia, para a seca e para a morte sob o verniz de um direito ou uma virtude de pacotilha.

Porque sim, digamo-lo sem ambiguidades,  está na verdade  o Bloco atlantista que, desde as centena de milhares de crianças assassinadas pelas bombas dos  papéis da O.N.U entre 1991 e 2003, está do mau lado da História.

É ainda este bloco que massacrando centenas de milhares de iraquianos suplementares desde 2003 por causa do  petróleo  está do lado errado da história;

É sempre ele que apoiando o apartheid israelita e apoiando as guerras do estado sionista no Líbano, em particular, está  ainda e sempre no lado errado da história

Finalmente, é ainda este bloco atlantista que, criando exércitos de terroristas para realizarem os seus planos hegemónicos, mergulhou a Líbia e depois a   Síria no pior dos infernos .

Por toda a parte, dezenas, centenas de  milhares de mortes, crianças, mulheres, velhos, todos eles sacrificados num monstruoso holocausto sobre o altar dos pretensos ideais, das pretensas Luzes   de um Ocidente cego  pelas suas  próprias  mentiras.

Hoje, as manigâncias do Bloco atlantista na Ucrânia fazem pesar sobre o mundo uma ameaça que se acreditava já de um outro tempo, de uma época definitivamente passada.

Era sem estar a contar sobre as nossas referências e a nossa virtude.

Então certamente, ainda não chegámos a estes extremos, mas de novo, como já o afirmámos anteriormente,  nós  não podemos contar com mais ninguém a não  ser  com o sangue frio da Rússia para evitar o desastre”.

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