VICTOR RUI DORES
( 1958 )
SERPENTE CEGA
ondas do mar
sepultei a serpente cega
à luz do luar
levai a flor do sentir
ondas do mar
gaivota voando a lembrança
anel do sonhar
a teia desta vida mansa
serpente do pranto salgado
nos abismos fundos do mar
vai naufragar
o meu viver, cinzas de amor
sonho que acabou
no meu olhar
serpente do amor secreto
trancado na prisão de mim
raiz de ser
barco no cais
não há-de haver mais
amor assim.
(da antologia “ Nove Rumores do Mar”)
Poeta e contista. Incluído na “Antologia Poética dos Açores” (2º. vol. 1979) e em “Nove Rumores do Mar” (1996). Obra poética: “Poemas de Fogo e Mar” (1978), “Entre o Cais e a Lancha” (1990), “À Flor da Pele” (1991).

