“CANTAR GRÂNDOLA 40 ANOS DEPOIS” – por clara castilho

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O espectáculo tardava a começar… E vozes se começaram a levantar: “Fascismo nunca mais! 25 de Abril sempre!” Estava dado o mote do que se esperava que ali se passasse.

O concerto “Cantar Grândola, 40 anos depois”, no Coliseu de Lisboa, dia 28 passado, evocou o espetáculo de 29 de Março de 1974, quando se realizou o I Encontro da Canção Portuguesa, organizado pela Casa de Imprensa. A ele assistiram cerca de 7 mil pessoas, vigiadas por um forte dispositivo policial. As autoridades tentaram impedir a sua realização e só na própria noite foi autorizado mas com a proibição de diversas canções, como “Venham mais cinco”, “Menina dos olhos tristes” e “A morte saiu à rua”, de José Afonso.

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Foto “Capital”

No entanto, os cantores cantaram-nas ma mesma, fazendo silêncio nas partes cortadas que eram cantadas pela assistência. Eles cumpriram as ordens, a “populaça” é que não! A canção que acabou por ser a mais emblemática no momento, por os censores não erem percebido o significado – ‘Grândola’ – tinha sido autorizada. E emblemática, dias mais tarde, por ter sido uma das escolhidas como senha entre os militares que levavam a cabo o golpe contra a ditadura.

Nas palavras de abertura, José Jorge Letria lembrou que o I Encontro da Canção Portuguesa se tinha realizado cerca de duas semanas após o levantamento das Caldas da Rainha e a menos de um mês da madrugada de Abril e que todos sentiam no ar a aproximação de algo que traria mudança ao país.

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Não sei se o espectáculo correspondeu ao que o público esperava. Foi longo, e com tempo “gasto” em actuações não veiculadas com o momento de então. Não foi por acaso que foram Francisco Fanhais, Manuel Freire, José Fanha, José Jorge Letria quem mais empolgou o público. E Janita Salomé e Júlio Pereira, ainda não participantes em 74, mas que acompanharam José Afonso nos tempos que se seguiram, pela grande qualidade com que continuaram a trabalhar, depois da aprendizagem junto do Mestre, e pela força que emprestaram às suas músicas.

Júlio Pereira, partilhou com o público um conselho de José Afonso: “Quando cantares, canta sempre com prazer”. Janita afirmou “estamos encravados mas ainda temos cravos”. Francisco Fanhais alertou para o facto de termos de fazer da memória uma arma.

Os comentários no facebook vão desde “ A unir toda a gente, a profundíssima desilusão do presente e a promessa de ainda acreditar no futuro. E no entanto, o que eu senti mesmo, mesmo, foi melancolia”, a “Que o sentimento de “brigada do reumático” não nos tire a força!” e “Força para resistir aos vampiros”.

Pois é, Janita, estamos encravados, mas ter cravos não nos chega (e tu sabe-lo, só jogaste foi com as palavras…).

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1 Comment

  1. * Imagino o entusiasmo neste reviver o 25 de Abril .*

    *Os cravos foram transformados em cravos de ferro pelos meandros de uma capitacracia -instalou-se …crivou-nos a alma e c corpo tal como a guerra colonial ,uma guerra inútil feita de tragédias cá e lá .*

    *Ao menos que esta data não se reduza a uma data histórica ,condenada a ser esquecida como o 1º de Dezembro ,o 5 de Outrubro -Maria *

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