FRATERNIZAR – “O papa de Roma está nitidamente aos papéis” -por Mário de Oliveira

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QUEM SOU EU? SOU COMO JUDAS, O TRAIDOR?

 

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O papa de Roma está nitidamente aos papéis. Durante um ano, desencadeou uma onda mediática de aplauso e de euforia, em torno dele próprio e do seu próprio poder, e, hoje, vê-se completamente refém dos media e das multidões que apenas buscam pão e circo, pão e circo, pão e circo. A Praça de S. Pedro é o oceano onde, semana após semana, vão desaguar todas as alienações em que é perito o cristianismo, ele próprio, o pai de todas elas. E a verdade é que muita da gente que ainda tem poder de compra e se pode dar ao luxo de viajar (os italianos de ao pé da porta já não querem saber do que faz ou diz o papa, basta-lhes ver toda aquela opulência da Cúria romana em contraste com a penúria dos que todas as semanas conseguem arribar à ilha de Lampedusa, para concluírem que o Estado do Vaticano é o pai de toda a mentira e de toda a hipocrisia), faz questão de ir a Roma ver o papa. Neste último Domingo de Ramos, dizem os media que estiveram presentes umas cem mil pessoas. Pão, elas não encontraram. Apenas circo.

O actor, desta vez, apresentou-se-lhes de rosto carregado, e as palavras saíram-lhe em tom tragicamente interrogativo e desconcertante: “Quem sou eu? Sou como Judas, o traidor? Sou como os soldados que fizeram pouco de Cristo? Ou sou como a Virgem Maria que sofria o calvário de Jesus em silêncio? Como José [de Arimateia] que transportou com amor o corpo de Jesus até à sepultura?”. O papa não respondeu às suas próprias perguntas, mas o seu rosto deixou perceber que ele próprio se sente na pele de Judas. E, tal como aquele, também ele, hoje, já sem hipótese de retorno. Caiu na tentação do Poder e agora, um ano depois, vê que o Poder está a comer-lhe a alma, a identidade. De tal modo, que já mistura alhos com bugalhos. Tão depressa diz que os soldados “fizeram pouco de Cristo”, como, logo a seguir, acrescenta que José “transportou com amor o corpo de Jesus”. Em que ficamos, então? É Jesus ou é Cristo?! E a Virgem Maria é a mãe de Jesus, ou é a mãe de Cristo?

 O cristianismo gosta de sangue e atinge o clímax do prazer, quando tem, diante dele, todo o mundo como escabelo dos seus pés. Dá-lhe, então, circo, juntamente, com overdoses de delírios, nenhuma realidade, e, de cada vez que vão até aos seus santuários principais, as multidões regressam as suas casas menos elas próprias. As igrejas cristãs estão loucas. Já não conseguem discernir a realidade entre tantos mitos com que lidam todos os dias. E tomam os seus mitos e delírios por realidade. Fazem teatro. Por estes dias, transportam as populações para Abril do ano 30, não para elas se aperceberem da traição e do crime contra Jesus, protagonizado também pelos Doze, representados por Judas, um dos Doze, mas para as pôr a ver e a fazer teatro nas ruas e nas igrejas. São bem a perversão organizada, a mentira, a farsa, o faz-de-conta. Em Abril do ano 30, a realidade histórica fala de um crime, o mais hediondo, contra a humanidade, na pessoa de Jesus, o filho de Maria. As igrejas cristãs, dois mil anos depois, negam esta realidade e, em seu lugar, ocupam-se teatralmente com o mito cristo e não vão além disso. São esquizofrénicas e tornam esquizofrénicas as populações e os seus próprios funcionários. Dizer cristãos, é dizer mulheres e homens esquizofrénicos, que em lugar de verem a realidade, para a assumirem e transformarem, confundem-na com os seus mitos e delírios, e ocupam-se com eles. A tragédia que daí decorre, é completa.

O rosto do papa, neste domingo de ramos, é disso sinal. A desorientação é total. Sente-se perdido no meio daquela floresta de gente sem nome e não sabe o que fazer. Tão pouco, pode parar para pensar. O espectáculo mediático é contínuo e ele é o actor principal. Juntamente com os bispos residenciais e os párocos. E, por fim, os leigos, elas e eles, que, quais rebanhos, fazem tudo o que os párocos lhes dizem para fazer.

As populações do planeta e o próprio planeta têm fome de Comensalidade, e as igrejas cristãs, mais outras religiões e espiritualidades que por aí proliferam, dão-lhes circo e umas quantas hóstias brancas, a que chamam “corpo de cristo”, que as deixam ainda mais esquizofrénicas. A valorizarem os ritos, em detrimento da realidade, nomeadamente, as pessoas e a Política praticada. Deixemos, por isso, implodir as igrejas cristãs. E, dos escombros, veremos levantar-se, finalmente, Jesus, o filho de Maria, o caminho político que, acolhido e praticado por nós, nos conduz à mais que desejada Comensalidade planetária, de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades.

 

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