EDITORIAL – AS PENAS DE MORTE NO EGIPTO. A BARBÁRIE QUE NOS ESPREITA.

logo editorial

No Egipto um tribunal condenou à morte 683 pessoas pela morte de um polícia, para além de outras acusações. Entretanto será de recordar que em Março o mesmo  tribunal condenou igualmente à morte 529 pessoas, em condições que terão sido semelhantes. O facto de estas sentenças poderem ser comutadas posteriormente não atenua a gravidade deste procedimento. Parece que muitas das pessoas condenadas não estão presas e encontram-se em parte incerta.  Também foi noticiado que alguns dos condenados por estas sentenças já terão inclusive falecido.  Isto autoriza a que se avance com a ideia de que estas medidas, para além  de condenar eventuais responsáveis por determinados crimes, visam assustar outras pessoas, que estejam possivelmente em condições semelhantes às dos condenados. E não será exagero levantar a hipótese de que se inserem no quadro de um processo de destruição de uma organização adversária dos actuais detentores do poder no Egipto. Essa organização é a Irmandade Muçulmana.

A alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay, chamou a atenção para as condições em que foi proferida esta segunda sentença, tendo classificado o julgamento como superficial, segundo se lê nesta notícia do Globo:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/condenacoes-morte-no-egito-violaram-direitos-humanos-diz-onu.html

Há também notícias que se encontram detidos mais de 15000 elementos da Irmandade Muçulmana, que apoiava o presidente deposto, Mohamed Morsi. Mas também outras organizações estão a ser afectadas , como o Movimento 6 de Abril, que terá tido um papel de relevo no derrube do ditador Hosni Mubarak e foi agora proibido.

Independentemente do cariz das organizações afectadas, há que assinalar que está em curso  no Egipto  uma vaga repressiva que parece não reconhecer peias. Milhares de pessoas já foram mortas durante manifestações, sobretudo por acção das forças que supostamente deveriam defender a ordem. O terror parece estar a ser imposto para acabar com protestos, e tudo o que se possa opor às entidades qua actualmente detêm o poder. Alguns alegam que grande parte da população apoia este tipo de medidas, se assim se podem chamar. Há que chamar a atenção para que os regimes mais cruéis da história foram implantados após se utilizarem processos como os acima referidos.

Leave a Reply