UMA SAÍDA NÃO LIMPA, COM MAIS DÍVIDAS E MAIS DEPENDENTES DOS CREDORES – por EUGÉNIO ROSA

Parte I

UMA SAÍDA NÃO LIMPA COM O PAÍS MAIS ENDIVIDADO E DEPENDENTE DOS CREDORES, E MAIS CONDICIONADO O FUTURO DOS PORTUGUESES

O governo PSD/CDS, a “troika” e os seus defensores quer nos órgãos de comunicação social quer fora deles, têm desenvolvido uma gigantesca operação de manipulação e de engano da opinião pública procurando fazer crer aos portugueses que a situação atual do país é muito melhor do que aquela que existia quando, em Março de 2011, tomaram conta do poder, já que foram criadas as condições que permitem a recuperação da sua economia e o país desenvolver-se. Falam mesmo de uma “saída limpa” procurando levar a opinião pública a pensar que agora o país está liberto dos obstáculos que, no passado, impediam o seu crescimento económico e desenvolvimento (recorde-se, a este propósito, o simbolismo do relógio de Paulo Portas). Infelizmente a realidade é muito diferente daquela que têm pintado, como mostram os dados do próprio Banco de Portugal do quadro 1:

Saída

Segundo dados do Banco de Portugal divulgados nos seus Boletins Estatísticos, após a assinatura do “Memorando” com a “troika” pelo governo do PS, e pelo PSD e CDS, e com a implementação das medidas constantes dele pelo governo PSD/CDS, a divida das Administrações Públicas (Administração Central, Regional e Local) nunca mais parou de crescer. Assim, entre Março de 2011 e Dezembro de 2013, ou seja, em apenas 2 anos e 9 meses passou de 188.681 milhões € para 252.944 milhões €, isto é, aumentou 34% (+64.233 milhões €). Mesmo em 2014, em apenas dois meses (Dez.2013/Fev.2014) cresceu 5.477 milhões €. Também entre Março de 2011 e Dezembro de 2013, a divida das empresas públicas aumentou em 430 milhões € (passou de 44.456 milhões € para 44.886 milhões €), tendo diminuído 140 milhões € nos dois primeiros meses de 2014. Portanto, a “saída limpa” de que tanto fala o governo e os seus defensores na sua propaganda e campanha de manipulação da opinião pública não é outra coisa que um Estado (Central, Regional e Local) mais endividado, mais dependente e amordaçado aos interesses dos credores, principalmente grandes grupos financeiros. É este o “excelente” trabalho que fizeram estes “senhores” nos últimos 3 anos. Alvaro de Santos Pereira e Vitor Gaspar já foram premiados pelo “bom” trabalho realizado, tendo sido já contratados para cargos bem remunerados, o primeiro pela OCDE, e o segundo pelo FMI. E é previsível que suceda o mesmo a muitos mais após a sua passagem pelo governo.

Mas o gigantesco endividamento do país não se restringe apenas ao Estado, seja ele Central, Regional e Local. Ele também existe no setor privado, quer sejam empresas quer particulares (famílias). E durante estes 3 anos a situação não melhorou significativamente como também mostram os dados do Banco de Portugal constantes do quadro 1.

Assim, as dividas das empresas privadas que já atingiam um valor insustentável (pois é um obstáculo ao investimento) em Março de 2011 – 305.830 milhões € – não diminuiu durante os últimos dois anos e 9 meses, até aumentou em 1.143 milhões €, tendo atingido 306.973 milhões € em Dezembro de 2013. No entanto, o que se verificou neste período foi uma redução do crédito às PME (-22579 milhões €), em beneficio das grandes empresas (o crédito a estas aumentou em 17.280 milhões €) e às SGPS (+6.414 milhões €) que, na sua maioria, são “holdings” de grupos económicos. O crédito aos particulares (famílias) e, consequentemente, o seu endividamento diminuiu neste período em 18.692 milhões €, tendo-se reduzido também nos dois primeiros meses de 2014 em 1.066 milhões €. Os dados do Banco de Portugal também constantes do quadro 1, mostram que, entre Março de 2011 e Dezembro de 2013, foram destruídos em Portugal pela politica imposta pela “troika” e pelo governo PSD/CDS, 305.000 empregos, que o número de trabalhadores a descontar para a Segurança Social diminuiu em 281.000 (nos dois primeiros meses de 2014, tornaram a diminuir em mais 35.000), e que o desemprego oficial aumentou em 138.000.

Eis alguns traços da “saída limpa” que o governo PSD/CDS e a“troika” , e seus defensores tanto se gabam após os gigantescos sacrifícios que tiveram de suportar os portugueses (cerca de 30.000 milhões € de cortes em despesas essenciais e em aumento de impostos).

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