Enquanto os papas e os cristianismos estiverem ao leme, é tudo só faz-de-conta
Este é o primeiro Texto da edição 98 do JF, Maio 2014, escrito à luz da Fé e da Teologia de Jesus. Outros se seguirão até final do mês. Coincide com o 1.º de Maio, o dia por excelência dos trabalhadores por conta de outrem. Mas enquanto formos uma sociedade formatada/ dominada pelos papas de Roma, o Poder monárquico absoluto e infalível que pode julgar todo o mundo e não pode ser julgado por ninguém, e formatada/ dominada também pelos múltiplos cristianismos, o de Roma e os protestantes, tudo quanto, neste e noutros dias se faça e diga nas ruas, nas grandes praças e nos grandes anfiteatros, nas tvs e nas rádios, é tudo só faz-de-conta. Nos dias seguintes, a sociedade lá volta, resignada e cansada, às suas rotinas de sempre, enquanto os governos de cada Estado do mundo avançam por cima de toda a folha com as decisões que têm em curso e com outras, qual delas a mais cáustica e mais destruidora das almas/ mentes cordiais das populações, convertidas pelos cristianismos, em carne para canhão, para impostos de toda a ordem, para publicidades enganosas, novelas e programas televisivos de caca, carregados de vírus ideológicos e de boçalidades, as mais ignóbeis. Não tenhamos ilusões. A realidade histórica está aí a comprová-lo à saciedade: vamos de 1.º de Maio em 1.º de Maio, cheios de manifs nas ruas e de palavras de ordem sonantes mas completamente ilusórias, até à destruição de todos os direitos dos trabalhadores e das populações e à destruição da própria vida no planeta Terra. Somos vidas condenadas a ser presas, torturadas, denegridas, odiadas, descredibilizadas, matadas/ sacrificadas nos altares dos templos sagrados, onde pontificam papas, bispos, párocos e pastores, e nos altares dos Estados mentirosamente ditos laicos, que se fazem passar por nossas mátrias/ pátrias, quando em boa verdade são outros tantos calvários onde as populações são sadicamente crucificadas/ imoladas/ sacrificadas, noutras tantas missas rituais e reais, cada vez mais cruentas. O Haiti, o Egipto, o Iraque, a Síria, o Afeganistão, a Ucrânia, a China, até as universidades com suas praxes, e as estradas do mundo, que o digam! São milhões de mortos por dia, todos para maior glória de Deus, o dos papas de Roma, obviamente, e o dos cristianismos mai-lo dos Estados, o intrinsecamente perverso Deus Poder.
Os cristianismos e os papas têm dominado as sociedades ocidentais e as outras, só que nessas outras sociedades não-ocidentais, os cristianismos e os papas apresentam-se sob outras máscaras, outros nomes, outras encíclicas, outros sermões. Mas a ideologia do Poder monárquico absoluto e infalível, lá está, bem disfarçada. E é tão convincente, que chega a fazer-se passar por divina, por isso, é uma ideologia com contornos de teologia/ idolatria. Porque pura invenção do Poder e do seu falso Deus – o do Credo de Niceia-Constantinopla – que justifica e canoniza todos os crimes dos seus principais agentes históricos. Por trás e pela frente e pelos lados, tudo é ideologia/ teologia. Nem os chamados ateísmos, hoje muito em voga, estão fora do domínio dos papas de Roma e dos cristianismos, mesmo que os seus chefes e ideólogos abandonem as tradicionais máscaras religiosas com que se apresentam às vítimas. Vestem a máscara dos ateísmos, mas para melhor poderem prosseguir com tanta, ou ainda mais crueldade, que a dos cristianismos dos papas de Roma e dos pastores.
Desde que o cristianismo saiu vencedor, no histórico confronto com as religiões politeístas do império romano, as populações estão condenadas, enquanto ele durar, sob a máscara das igrejas cristãs, ou sob a máscara dos ateísmos, a ser os novos servos da gleba, por mais rebeliões e primeiros de Maio que se sucedam na história. Os papas são o Poder absoluto, por isso, são o latrocínio e o assassínio institucionais, aos quais tudo é permitido e tudo fica bem e é rotulado de santo. Pior ainda, se são papas já canonizados em vida, ou pouco tempo depois de morrerem, como acaba de suceder com João XXIII e João Paulo II. Como padrinhos-mor da máfia das máfias, que é a Cúria romana, todos os papas roubam, excomungam, queimam/ matam as populações nas novas fogueiras da santa inquisição e do Santo Ofício, sempre que estas tentam levantar a voz e a cabeça, em lugar de se resignarem a viver, por toda a vida, como escabelo dos pés deles, numa indigna postura de permanente obediência, reverência e aplauso. E numa indigna postura de gratidão, quando, num ou noutro caso, eles se vestem de benfeitores, de populistas sorrisos e de discursos moralistas, uma no cravo, outra na ferradura.
Os papas apresentam-se às populações como santos, homens sagrados. Vestem diferente. De branco. Canonizam-se uns aos outros, e, nessas datas, os cristãos seus súbditos, pelo baptismo de água, ministrado em criança pelos párocos e crismados, na adolescência, pelos bispos, correm de todas as partes do mundo para Roma, a encher a praça de S. Pedro, o tal chefe histórico do grupo dos Doze que não hesitou em trair Jesus e, depois, ao vê-lo flagelado e condenado à morte na cruz, ainda foi capaz de o negar por três vezes. Como recompensa deste seu sujo serviço, foi constituído de imediato chefe de uma nova máfia, o judeo-cristianismo (= Poder monárquico, absoluto e infalível), que, dois mil anos depois, é o que se vê, quer nos papas Francisco e Bento XVI que se apresentaram publicamente abraçados, no acto de canonizarem como santos outros dois papas dos quais foram súbditos cardeais, cheios de privilégios, num mafioso juramento de sangue, eu encubro-te a ti, tu encobres-me a mim, eu canonizo-te a ti, tu canonizas-me a mim. E tudo isto realizado e consumado bem à vista de todos, para que jamais alguém, ateu que se diga, chegue sequer a pensar dar o grito do Ipiranga, e atirar para as trevas exteriores e o ranger de dentes, os papas e os cristianismos, mai-lo seu Deus Poder, hoje, o financeiro, por isso, mais monárquico, absoluto e infalível do que nunca, o pai de toda a barbárie global em que hoje estamos mergulhados.
Não há, pois, 1.º de Maio, como não há 25 de Abril que politicamente resultem, enquanto não formos capazes, como populações, de nos livrarmos do domínio dos cristianismos, o dos papas de Roma e o dos pastores. Enquanto tal não acontece, continuamos a ser populações atadas de pés e mãos e com uma venda nos olhos da mente, eloquentemente representadas por Lázaro, o da parábola antropológica-teológica com que se tece o capítulo 11 do Livro mais politicamente subversivo e conspirativo, JESUS SEGUNDO JOÃO, o 4.º Evangelho traduzido e anotado como nunca o conhecemos, Seda Publicações, 3.ª edição, Abril 2014, 1.ª edição, Outubro 2013. Um Livro que as populações até têm medo de adquirir, de ter em casa e, sobretudo, de abrir-ler-estudar-debater, tão lúcido e maiêutico ele é. Mas não há como escapar: Ou vamos por ele e livramo-nos dos medos que os papas e os cristianismos criminosamente incutem e alimentam em nós, ou continuamos cristãos, inclusive, ateus cristãos, súbditos dos papas de Roma e dos pastores protestantes. Quando, no dizer-revelar de JESUS SEGUNDO JOÃO, cabe-nos ser simplesmente HUMANOS uns com os outros, contínuos e fecundos dar e receber afectos, num tipo de mundo organizado segundo o princípio mais radicalmente humano que há, De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades. Só que, para chegarmos aqui, temos de nascer de novo, do vento da Liberdade que tem por mãe a Verdade praticada. Por outras palavras, temos de mudar de ser e mudar de Deus. Deixar o Deus Poder, o dos cristianismos dos papas de Roma e dos pastores das igrejas protestantes, e experimentarmo-nos, surpreendentemente, habitados por Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu nem verá, a Omnifragilidade que, ininterruptamente, nos faz ser, a cada uma, cada um de nós, de dentro para fora, sujeitos e protagonistas da história, como se Deus não existisse!
Todo o poder humano é um enigma por decifrar -instala-se sob a capa de desejar o Bem dos povos –A ausência da Educação em valores inerentes á condição humana .o poder triunfará -Maria
Todo o poder humano é um enigma por decifrar -instala-se sob a capa de desejar o Bem dos povos –A ausência da Educação em valores inerentes á condição humana .o poder triunfará -Maria