A TERCEIRA COMPONENTE CULTURAL: SANTIAGO.
A influência de seu pai permite-lhe, em 1888, conhecer novos horizontes – é colocado como Recebedor da Fazenda Pública no Concelho do Tarrafal. Vindo do Mindelo, onde na vida social a matriz europeia se sobrepõe à africanidade da geografia, ao chegar a Santiago depara-se-lhe Cabo Verde em toda a sua verdadeira autenticidade e plenitude – o cruzamento entre duas culturas, a portuguesa e a africana – redundando numa mestiçagem plena de cor e de vida próprias. As crioulas são lindas. Eugénio demora-se na sua contemplação e dedica-lhes poemas:
A Virgem Maria
pura mãe de Deus
seria crioula?
sim; nos sonhos meus,
contemplo-a, morena,
filha de plebeus,
(…)
A doce crioula
pequenina flor
é como a violeta
no aroma, na cor.
Na realidade, Santiago fascina-o – a sua palpitante vida, as suas gentes, sobretudo, como já se viu, as jovens crioulas. Começa agora a compreender o mosaico constituído por Cabo Verde, na sua diversidade étnica e na sua pluralidade sociocultural. Um dos seus mais importantes biógrafos, João José Nunes (1885-1965), seu discípulo e também poeta, também ele nascido na Brava, afirma que a estada em Santiago, constitui a terceira componente cultural de Eugénio Tavares (sendo a Brava e São Vicente, as duas primeiras).
Ama particularmente a vila do Tarrafal, a sua praia e a vasta paleta de azuis que o mar ali oferece. Porém, apesar disso, as saudades da sua ilha, devoram-no. Estamos em 1889. Eugénio, agora com 22 anos, sente-se ansioso por regressar. Mais uma vez, a influência de seu pai se faz sentir – é nomeado Recebedor da Fazenda Pública da Brava.


A Viregem Maria não tem cor -Mãe é Máe -Maria