OS POBRES: 1914 – 2014 por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

À saída do cemitério, aquando do funeral de Maria Piedade de Aboim Ascensão,   foram distribuídas 400 esmolas pelos pobres que estavam presentes.

Há cem anos muitas pessoas tinham “os seus pobres, a quem ajudavam com comida ou dinheiro”.

A pobreza que existia em Portugal era tanta que os jornais organizaram colectas com os leitores para auxiliarem os “seus” pobres”.

Pessoas abastadas deixavam no seu testamento a quem queriam dar algum dinheiro.

Era proibida a mendicidade, mas a pobreza não acabava só porque sim.

As ruas “incomodavam” pela quantidade de mendigos que deambulavam a pedir esmola.

O título de Conde de Agrolongo foi dado a um português pobre que foi para o Brasil, ainda criança, e que lá fez uma grande fortuna e com parte dela fez do antigo Convento do Salvador, agora Conde de Agrolongo, em Braga, um asilo da mendicidade para 300 pobres.

No ano seguinte, no Porto, foi inaugurada uma nova cozinha económica. O conceito de cozinha económica foi herdado da Monarquia, 1893 pela duquesa de Palmela. Ainda no Porto foi feito um levantamento do número de pobres permitindo, assim, que a Polícia mandassem embora para as suas terras os mendigos que não eram da terra.

Em 1913 foi preso um casal de mendigos porque ao saberem que tinha sido enterrado um porco doente, foi a correr desenterrá-lo para comer. Tinha Fome, muita!

Havia muitos necessitados, mas também beneméritos.

Foram aparecendo outras instituições, como o Asilo da Mendicidade, A Junção do Bem, em Lisboa, que distribuíam jantares, esmolas, medicamentos, subsídio de lactação para as mães indigentes.

Isto foi há 100 anos, ano da Grande Guerra.

Estamos em 2014 e em alguns aspectos há certas semelhanças, vestidas de outra forma.

Cada vez há mais pessoas a precisar de ajuda, pessoas que trabalhavam e viviam relativamente bem agora vêem-se privadas de qualquer conforto. Com que direito?! nos transformam a vida num inferno?

Porque é que não nos revoltamos activamente? Agora foi anunciada mais uma subida do IVA, o que significa mais dificuldades em comprar comida para os filhos….

Perdemos a grande oportunidade, durante estes 40 anos, de assegurar a vida de todos…

Há 100 anos era a I Grande Guerra, agora é a guerra dos mercados, mas, e porque não a guerra aos mercados? Haverá soldados para isso nos parlamentos? Duvido…

 

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