Selecção, tradução e nota introdutória por Júlio Marques Mota
Ao ler este texto ficamos “quase” sem saber se se está a falar de Portugal, se da Grécia, se de Espanha, se da França, o problema é o mesmo por todo o lado. Só falta agora privatizar claramente as industrias de armamento, para serem depois compradas pelos chineses ou pelos russos. Foi o que aconteceu a uma importante fábrica americana que produz peças fundamentais para o F-16, situada agora na China! É mais seguro, possivelmente.
Quando há dias publicámos um texto sobre Matteo Renzi, o homem que assaltou o poder para levar a cabo as reformas exigidas por Bruxelas. Um amigo meu não terá gostado do texto porque pobre. Pessoalmente só o considerei pobre porque o pano de fundo do texto não era claro: quando se dizia que Bruxelas não gosta de Democracia. Percebe-se aqui: Bruxelas, como o tem feito por todo o lado e de forma bem mais dura que antigamente o FMI ou o Banco Mundial, quer entregar o património de cada país aos mercados. Percebemos bem a queda de Letta, percebeu-se bem a queda de Berlusconi, percebeu-se bem melhor a queda de Il professore, Mário Monti, derrotado nas urnas…Mas percebe-se bem igualmente a ascensão de Mateo Renzi ao serviço de Bruxelas., conforme se mostra nesta texto de Europe 1.
Coimbra, 25 de Fevereiro de 2014.
Júlio Marques Mota
Na Itália, a esquerda vai privatizar mesmo tudo
Europe 1, Alexis Toulon,
UE: Os custos da corrupção para a economia atingem 120 mil milhões anualmente
O governo de Enrico Letta obteve na quarta-feira a confiança depois da crise desencadeada por Silvio Berlusconi. © REUTERS
Longe de agitar o pano vermelho, o governo de Enrico Letta prepara-se para reatar com a liberalização da economia italiana.
A esquerda nacionaliza quando a direita privatiza. Esta visão da economia é uma imagem do Epinal hoje bem afastada das realidades, particularmente no momento em que a crise da dívida faz tremer os governos. A Itália de Enrico Letta tem necessidade de dinheiro fresco. Com a finalidade de encontrar 22 mil milhões de euros ao longo de três anos, o Partido democrata (centro esquerdo), vai relançar um programa de venda de uma parte dos seus activos em grandes empresas públicas.
Medidas destas não eram tomadas na península desde há sete anos, desde Romano Prodi, o antigo presidente do Conselho, ele também de esquerda e que foi substituído pelo homem muito à direita que é Silvio Berlusconi, político este que parou com as privatizações.
Uma crise da dívida sem precedentes. A economia italiana vai mal e tem necessidade de relançar a sua actividade económica. Contudo, não pode alargar mais os seus défices: a sua dívida pública atinge 133,3% do PIB, um recorde para o país. O Tesouro vai pois tentar colocar à venda por 7,5 mil milhões de euros por ano de participação do Estado em diferentes empresas para encher os seus cofres. .
As empresas aqui referidas. O Estado italiano está presente no capital de numerosas empresas. O Comitato delle privatizzazioni (Comité da privatização), criado em 1993 e relançado na altura, deveria propor a venda dos 4,3% possuídos pelo Tesouro no grupo petroleiro ENI onde detém 25,7% do capital), à cotação actual, o que representa 2,8 mil milhões de euros. A rede de transporte de electricidade deveria também ser colocada no mesmo plano (4,9% de Terna), os estaleiros navais Fincantieri, os Correios (o ramo seguro vida, Posto Vita, dos Correios Italianos) ou ainda a televisão (RAI).
As empresas poupadas. O governo Letta quer contudo proteger uma parte dos seus activos. Exclui a curto prazo a venda das suas participações em Finmeccanica, o grupo especializado na defesa e no espaço aéreo, de que se detém 30% pelo Tesouro, ou a empresa de electricidade Enel.
Os perigos da privatização. As principais fontes de inquietação dos investidores e das agências de notação para com a Itália não se limita à sua capacidade industrial. Apontam a instabilidade política, crónica na península desde as eleições gerais de Fevereiro de 2013. Ora, o governo Letta só pôde ser formado à custa de uma grande coligação em Abril de 2013. A rejeição por uma parte da esquerda de certos pontos deste projecto, nomeadamente a privatização parcial dos Correios, poderia reavivar a chama da instabilidade política. O que faz tremer os mercados.
Europe 1, Alexis Toulon, En Italie, la gauche va privatiser à tout va


