A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
A questão das nacionalidades é um tema incómodo para uma Europa que, com uma história política milenar, cedeu, sobretudo no século XIX, à tentação da criação de espaços imperiais. O romantismo saltava das páginas das novelas, dos acordes de sinfonias, das árias de óperas, de petrarquianos ou shakespeareanos sonetos, para a dimensão política, definindo uma nova cartografia – um velho continente, com fronteiras culturais e históricas bem definidas, tem estados mais jovens do que alguns dos que nas Américas foram assumindo a independência.
Carlos! Está a fazer de advogado do diabo, certo?
A Ucrânia é um país soberano, se as populações ali residentes pretendem adquirir outra nacionalidade (… nacionalidade tem outra conotação, diferente do termo fascizante “nacionalismo”), só têm de requerê-la e, das duas uma, ou se radicam no país da sua nova nacionalidade, ou assumem que são residentes estrangeiros!
Quem está a interferir com a soberania ucraniana é a Rússia, à revelia do direito internacional. E sim!- Tem de ser contida.
Não – Errado. A Catalunha só não é um país soberano por contingências históricas alheias à vontade do povo catalão. O estado espanhol pode invocar o direito internacional e a sua constituição para legitimar a ocupação da Catalunha, da Galiza e do País Basco. À luz do direito internacional, o território de Olivença é português e a ocupação das nações referidas uma herança que a democracia espanhola recebeu do franquismo. Espanha e Inglaterra invocam o direito internacional quando lhes convém e violam-no grosseiramente quando querem. A Ucrânia é um estado soberano porque a Rússia o permitiu, ao contrário do que aconteceu e acontece no Reino Unido e no estado espanhol. O direito internacional vale o que vale. O direito dos povos é inalienável. Não estou a querer branquear a posição russa – o imperialismo russo é miserável. Onde quero chegar? o pindérico imperialismo castelhano é ridículo e miserável; o bafiento imperialismo vindo do bordel de Buckingham, é pomposamente miserável. E, sim, cara Teresa – os imperialismos têm de ser contidos. Certo?