O DINHEIRO NÃO TEM COR – PENSAMENTOS DEPOIS DO ENCONTRO IMAGINÁRIO 72 – por Clara Castilho

Os Encontros Imaginários, no Teatro “A Barraca”, passam-se sempre entre 3 personagens históricas, de tempos diferentes, que se encontram no aqui e agora. Helder Costa constrói o texto e através dele vemos a sua posição face à situação actual no nosso país e no mundo. Nestas “sessões”, funciona como entrevistador. Do ponto de vista teatral, o apontamento único é o vestuário dos personagens que se encontram à volta de uma mesa.

O que há de comum entre o Infante Dom Henrique, uma das mais importantes figuras do período dos Descobrimentos,  Himmler, responsável pela Gestapo e pelos campos de concentração nazi que criaram o Holocausto e “Che” Guevara , o argentino internacionalista da revolução Cubana, ideólogo da criação de “Um, dois três Vietname” para combater o imperialismo Norte-Americano?

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Os dois primeiros encontram em comum o tema das finanças e o desprezo pelos entes humanos que consideraram desprezíveis e passíveis de morte. O primeiro, com a escravatura resultante da colonização que se iniciou nas Descobertas por ele iniciadas com a chegada a outras zonas do planeta, cujos habitantes, de outras raças, dominaram, servindo-se da sua força de trabalho, se imiscuírem nas suas crenças e organização social, finalizando na escravatura e venda de seus corpos.

Com esta forma de agir, Himmler empatizou, ele que quis exterminar uma raça, por a considerar menos apta e digna de habitar o mundo. Outro denominador comum entre estes dois personagens foi o da economia. O Infante porque, mais do que preocupado com a missionação, tinha objectivos de, com as colónias, obter grandes lucros. Himmler fez a ponte entre o presente, o ano de 2014, em especial com o seu país, a Alemanha, que está dominando o mundo, colonizando-o através do dinheiro e da economia. As frequências à actuação da Alemanha foram frequentes, apropriadas e pertinentes, apesar de ditas em tom de brincadeira…

E como se encaixa aqui Che Guevara? Confesso a minha dificuldade, Che foi contando o seu percurso pelos vários países da América Latina, alguns momentos irónicos pela inocência e inexperiência de quem chega ao poder vindo da guerrilha. Realço uma sua frase; “Qual é o único país onde não haverá um golpe militar? É nos EUA porque não tem uma embaixada dos EUA!”.

E assim, entre os três, Che Guevara ficou isolado, como todos os revolucionários românticos.

Saímos, apesar de nos termos rido, com um sentimento de desânimo. No fundo, o mundo não tem mudado, ao longo do tempo. Pensando só no tempo a partir do Infante, a escravatura foi praticada e alargada ao mundo. E ainda hoje existe em certos lugares, para além de podermos considerar que muitas formas de trabalho existentes (se bem que os seus praticantes não sejam posse “formal” de um outro) são, na realidade, uma forma de escravatura. E Che Guevara que tentou (bem ou mal) mudar este estado de coisas, não o conseguiu.

Então, que vamos fazer?

 

 

 

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